Opinião

Voltar para crescer

Por estes dias, a ansiedade renasce no rosto dos alunos. "Falta pouco para voltar!", desabafava o sorriso largo, fixo no calendário. Mas trazia a inquietação da insegurança: as notícias do sobe e desce da pandemia, dos casos fatais das vacinas, toldavam a limpidez da satisfação.

"A escola é segura. Tens de acreditar nela!". "Mas não será que vai piorar tudo outra vez?". O carrossel das dúvidas não lhes inspira confiança. Mas eles têm de acreditar: a escola de cada um é o lugar mais seguro do Mundo. O que a escola faz de melhor é organizar e planear a arte de fazer e acolher. E estes são geridos, sem aparato e na discrição, com a competência e fiabilidade de quem sabe que forma para uma vida inteira.

A porta da escola é o rosto dessa segurança prometida, que no seu interior se cumpre. Diante dela, os alunos interiorizam essa garantia. E confiam plenamente na escola. Mas temem a chegada e a partida, o momento em que a vulnerabilidade fica exposta e menos protegida. Temem o que a escola não pode planear e regrar, pois não pertence ao seu âmbito. Receiam que o voltar seja deceção, depois de tanto esforço despendido. Mas a escola será melhor do que nunca, acreditemos. Pensará, organizará e receberá como não o fez até agora. Não por não ter sido capaz, mas por conhecer, agora, mais e melhor. A família, sobretudo, a sociedade e o Estado têm de demonstrar confiança no desempenho da escola. Pois ela poderá vir a ser a melhor vacina de civismo e de saúde da sociedade. Todos percebermos que o grau de responsabilidade dela cresceu. Mas todos temos de crescer com ela também.

Professor de História no Colégio D. Diogo de Sousa, Braga

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG