Opinião

A canção do bandido

A canção do bandido já vem de longe. Poucos lhe sabem a letra e muitos tentam associar a música para disfarçar o seu desafinanço.

Há quem acuse os outros de usar a canção do bandido, mas faça lembrar o bardo do Astérix. Produzem ruído para esconder a sua própria tragédia.

O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho foi totalmente ilibado de todas as acusações que lhe foram feitas e que, seguramente, estiveram por detrás do seu escorraçamento do clube.

Que espaço mediático foi dado a este incontroverso facto? Que impacto terá tido no clube a que diz respeito?

Ficamos apenas a saber que é assunto incómodo com direito ao eterno estribilho de "quando o presidente Pinto da Costa for embora".

Só não lembrou ao letrista que Jorge Nuno Pinto da Costa já não pode ir embora do futebol português porque o futebol não pode ir embora de si mesmo. Há vidas que se fundem com a obra feita. É este o caso.

Mas também escapou ao letrista que Pinto da Costa será sempre culto, carismático, corajoso, vitorioso e, sim, dono de um sentido de humor tão fino e certeiro que manieta o alvo muito antes deste ser capaz de reagir. E quando reage, ninguém ouve porque está tudo a rir.

E este não é pequeno poder.

Há quem desafine e há quem continue pacientemente a dizer versos: não vou por aí...

No futebol como na política. Nos gabinetes como no território. Se assim não for, continuaremos num país de amadores. Como aquele que ainda agora vi na televisão, em que, à força de nada acontecer, um homem constrói com as suas próprias mãos um aeroporto em Fátima.

Entre a Ota e o Montijo, com Portela ou sem ela, quase rima e podíamos ser tentados a insultar o visionário só porque acertou no lugar exato para voos internacionais.

Chamem-lhe bandido!

*Analista Financeira

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