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Arquitetos do Porto. Ponto.

Arquitetos do Porto. Ponto.

O Porto é uma cidade de arquitetos. Dois Pritzkers, uma Escola, muitos arquitetos com obra na cidade, no país e no Mundo. Hoje como antes.

Mas a arquitetura ultrapassa os edifícios, foge do material para recriar a natureza. Nos jardins, paisagens arquitetadas.

E também aqui o Porto marca a contemporaneidade.

Dei-me conta disto quando li sobre uma retrospetiva de Humphry Repton, um inglês, jardineiro de paisagens, como gostava de ser conhecido.

Para celebrar o bicentenário da sua morte o Garden Museum, em Londres, organizou uma fantástica exposição, que vai até 3 de fevereiro próximo, a partir da qual se procura explicar o legado inovador e multifacetado de um dos primeiros arquitetos paisagistas no sentido mais moderno do termo.

A viagem aos seus jardins assenta fundamentalmente em 24 dos seus magníficos Red Books, livros de desenhos sobre cada uma das suas encomendas, encadernados a couro vermelho.

Em cada um, o desenho do que encontra em cada Mannor, Castelo ou Abadia.

Em cada um, a possibilidade de , ao observar cada página, voltar a construir o jardim ou o parque a partir de um regato que se transforma em lago, de uma clareira que afinal é um roseiral ou de uma quinta enlameada que se transforma num parque fidalgo.

Tudo requintadamente desenhado em aguarelas belíssimas, do antes e do depois, página a página, projeto a projeto.

Na verdade, Repton foi, para além de um dos primeiros arquitetos paisagistas, um marketeer exímio, fazendo apresentações personalizadas e tomando cuidadosas notas de todos os comentários, a cada passeio, com os seus clientes.

Mas, o mais relevante de tudo isto é a ligação do tema com o Porto.

Na verdade, quem olhar de perto para algumas imagens compreende logo!

O modelo mais acabado da maestria de Repton, o desenho que o autor considerava como a melhor forma de resolver todos os problemas que um projeto, de grandes dimensões, lhe apresentava está plasmada, à evidência no desenho, implantação e manutenção do Parque da Cidade do Porto.

Talvez valesse a pena ouvir o arquiteto Sidónio Pardal sobre tudo isto. E talvez valesse a pena passar a incluir o nosso parque nas visitas guiadas à cidade dos arquitetos. Do Porto. Ponto.

Analista financeira

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