Opinião

"Da ciência ao amor"

Luís Portela é para mim o símbolo de uma humanidade serena, rigorosa, íntegra e pacífica.

Instintivamente habituei-me a considerar que nada de si vindo seria supérfluo ou pouco refletido e talvez também instintivamente releguei para o fundo da minha memória a informação de que se dedicava com interesse consistente a uma certa espiritualidade que passando por fenómenos psicofisiológicos e parapsicológicos colocava a necessidade de uma investigação aprofundada e ecumenicamente perfilhada.

Até que o Carlos me trouxe o seu último livro: "Da ciência ao amor". Decidi ler. Acabei duas horas depois e fiquei realmente impressionada.

A claríssima vocação espiritual do ser humano, as vantagens de uma abordagem holística da nossa relação com a natureza (humana, animal e vegetal), a responsabilidade de aprendizagem que nos impõe uma existência transitória (pelo menos sob a forma em que nos conhecemos aqui e agora) são um estímulo real ao discernimento.

A evolução científica, em particular da física quântica, que, segundo o autor, parece querer comprovar a ideia de que tudo é energia mais ou menos "materializada" abre as portas para um universo de seres interligados. A consciência dessa interligação será o grau último da sabedoria e o primeiro da fruição plena "da harmonia, da sabedoria e do amor".

Como convite ao teste da hipótese formulada, Luís Portela apresenta um conjunto significativo de fenómenos "paranormais" que devidamente investigados podem ser a chave para o entendimento desta cadeia de reações que pede e devolve a harmonia e o amor absoluto.

Não se revendo em nenhuma das propostas formais das religiões teístas e não teístas, não deixa de lhes reconhecer a especial responsabilidade de convergirem numa procura mais despida de aparato material e regulatório.

E talvez tenha razão. Como S. Mateus: "Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas".

Analista financeira