Opinião

O caso Robles

Um constrangimento. Sem dúvida! Na eira, tudo contra a especulação imobiliária, os despejos e a falta de arrendamento disponível. No nabal, um processo potencialmente muitíssimo lucrativo que envolveu o Centro Histórico, a reabilitação, o afastamento de inquilinos e de uma unidade de comércio tradicional.

Dois erros. Crasso. O de Robles não se ter demitido de imediato e o de Catarina Martins ao ter tentado justificar o injustificável.

Várias consequências. Na Câmara de Lisboa - o cuidado de explicar cuidadosamente as áreas de entendimento entre BE e Medina. É mais creches, melhoria das escolas e das refeições escolares... nada que se pareça com turismo ou com desenvolvimento urbano. No Bloco - talvez uma viragem à Esquerda que lhe pode vir a sair muito cara. No PCP - a reserva de uma autoridade moral consistente pelo menos em termos institucionais. Mas também nunca saberemos se há alguém verdadeiramente capitalista no PCP. No PS - a obtenção de um pretexto de ouro para se afastar do Bloco quando lhe der jeito. Com a ausência de uma alternativa à Direita, talvez a sacudidela lhe valha a maioria absoluta.

Uma dúvida. Porque é que nunca ninguém sabe nada da vida dos eleitos no que se refere ao cruzamento dos seus atos com a esfera pública? Afinal, tudo isto se arrasta desde 2014.

Uma lição. O feitiço volta-se quase sempre contra o feiticeiro. O que diria Catarina Martins se em vez de Robles fosse um elemento do CDS ou do PSD? Que preocupação teria em garantir que as capas dos jornais não publicassem mentiras como alegou que aconteceu ao rasgar as vestes? Que esforço faria para ouvir as explicações e estimular o respeito pela presunção de inocência? Que contenção exibiria no sentido de não alimentar a fogueira mediática?

Provavelmente muito pouco. Será seguramente pedagógico provar agora do seu próprio veneno.

ANALISTA FINANCEIRA