Opinião

Baixa densidade. Alta prioridade

Baixa densidade. Alta prioridade

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) publicou recentemente um trabalho interessante sobre a ventilação concelhia dos incentivos por via de fundos estruturais atribuídos às empresas entre 2007 e 2017.

Dos dados publicados ressalta a informação global de que foram apoiadas 748 empresas, com 696 milhões de euros (398 milhões de euros de fundo).

Os dados mais detalhados (publicados aliás esta semana pelo JN) são igualmente interessantes e parecem ressoar um certo estado de ânimo dos territórios mais distantes do litoral.

No entanto, um olhar mais demorado deixa-me as seguintes (breves) reflexões:

- em 86 concelhos da NUTS 2 Norte, 51 foram (em 2015) classificados como de baixa densidade; mais de metade do número total de concelhos;

- os indicadores demográficos não são os únicos que contam para esta classificação; trata-se de uma classificação multicritério - densidade populacional, características físicas, socioeconómicas, acessibilidades...

- ou seja, mais de metade do nosso território tem baixos níveis demográficos e socioeconómicos, tem uma geografia mais rural do que urbana e acessibilidades de qualidade variável:

- o investimento empresarial de que a CCDR- N nos fala está desigualmente repartido por esta realidade concentrando-se essencialmente em zonas transfronteiriças e resultando ainda em larga medida de estímulos exógenos como sejam o fenómeno Inditex ou o cluster automóvel na Galiza;

- a dinâmica interessante do turismo mobiliza muitos empreendedores mas mantém-se sazonal e com escala ainda muito reduzida;

Se tudo ficar como está não será a trajetória dos apoios às empresas que por si só alterará grande coisa do nosso desempenho regional.

Mas, ao contrário, serve com meridiana clareza para sustentar a reivindicação da autonomia necessária para, a essa escala, decidir e desenhar os melhores instrumentos que possam estimular um desenvolvimento mais coeso e mais sustentável.

A avaliar pela magra margem de manobra que têm os atuais responsáveis regionais não será tarefa fácil.

Mas devia ser, para todos nós, uma incontornável prioridade!

*Analista financeira