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Presidenciais: o que pode correr mal

Presidenciais: o que pode correr mal

Marcelo Rebelo de Sousa é, pelo que dizem as sondagens, o vencedor anunciado.

Mas talvez venha a ter um triunfo mais magro do que o esperado, o que pode condicionar a forma como o incumbente, depois de reeleito, exercerá o seu mandato.

Primeiro a pandemia. Há os que, como eu, acham que o presidente se esforçou pouco para prevenir que os nossos mais velhos morressem armadilhados como ratos nos lares. E vai haver quem, por osmose, ache que vai ser responsável pelos inevitáveis elevados números de contágio, hospitalização e óbitos que registaremos por causa da flexibilização das regras no Natal.

As eleições a 24 de janeiro são, neste último aspeto, demasiado perto para se separarem as águas.

Por outro lado, suspeito que vamos ter uma (para mim) má surpresa com André Ventura.

Há muita gente que não tem coragem para assumir que vai votar André Ventura. E no entanto, há um eleitorado ainda escondido mas potencialmente significativo.

As sondagens não conseguem filtrar este problema.

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Tenho sido confrontada com várias confissões firmes de votos no candidato do Chega. Do tradicional comerciante do Porto, de empresários e, ainda mais preocupante (para mim), de jovens. Jovens que se dizem fartos da "roubalheira" e que não conseguem seguir a orientação de voto do CDS porque não acreditam no seu líder...

Fico espantada, mas tenho de perceber que com 18/19 anos não fazem ideia do que é a falta de liberdade. Só têm medo de, por causa da "roubalheira", não terem emprego quando saírem da faculdade.

Haverá, claro, igualmente o fator Ana Gomes que repartirá alguns votos da esquerda e os da esquerda da direita.

Por último, se por qualquer razão mais ou menos premeditada, vierem para o espaço público palavras difíceis como Tancos, cidadão ucraniano e outras que tais, Marcelo Rebelo de Sousa pode ter dificuldades acrescidas em continuar a assobiar para o lado.

Não chegaremos a uma segunda volta e no final julgo que o professor ganhará, mas, ao contrário de Soares, será reeleito menos forte, menos unânime e mais desafiado.

Analista financeira

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