Opinião

TSUnami?

Alerta de tsunami, pelo menos. E, ao contrário do que possa parecer, a onda gigante pode não afogar Passos Coelho e sim levar para longe António Costa.

Tenho refletido várias vezes sobre as condições de manutenção desta improvável "coligação" governativa para chegar sempre à conclusão que, por força das circunstâncias económicas e financeiras do país e ainda de uma ortodoxia que o PCP não pode pura e simplesmente "meter na gaveta", não há interesse real que alimente a sua existência.

António Costa sabe e Marcelo Rebelo de Sousa deseja isso. Para ambos, por razões diferentes, é urgente preparar o que se segue: garantir condições de governabilidade à Direita.

E a evolução mais recente dos mercados, resultado da prospetiva negativa que isoladamente se abate sobre Portugal, acelerou o tempo político.

O atual "caso TSU" é mais uma bazucada a uma trincheira que urge desmobilizar. António Costa precisa de um líder para o PSD que lhe permita começar a negociar. A permanência de Passos Coelho com quem não pode entender-se está a atrasar a dinâmica de "evolução" que precisa de desenhar ainda antes das autárquicas.

Só assim se percebe que diga que "sempre soube que o BE e o PCP" não avalizariam o desconto temporário da TSU. Se "sempre soube", então sempre soube também que iria fazer voltar todas as atenções para o PSD. E voltar as atenções para o PSD num tema que Passos Coelho tinha, alegadamente, sufragado anteriormente, poria em causa a sua "irritante" coerência.

De facto, pouco interessa se a medida é boa ou má, se Passos Coelho esteve de acordo com coisa exatamente igual, e seguramente que, neste minuto em que escrevo, já está gizada uma solução alternativa.

Interessa que se abanou mais um pouco o posto que Passos Coelho não quer deixar. E interessa também que se puseram a ajudar nos abanões o presidente da República e toda a Concertação Social.

Interessa, ainda, perceber que estamos num impasse político cujo desenlace, se demorar muito tempo, porá em causa a caminhada positiva de António Costa.

E interessa, sobretudo, perceber que nenhuma "vitória" unilateral será boa para o país. Nunca, como agora, se exige especial sentido de Estado ao tripé que verdadeiramente conta: o PS, o PSD e o PR.

Porque, neste momento, de facto, "que se lixe a geringonça"!

ANALISTA FINANCEIRA

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