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Só a Europa pode salvar o planeta Terra

Só a Europa pode salvar o planeta Terra

No dia 23 de dezembro isto estava melhor. Ou talvez não. O Mundo tinha muito oxigénio e havia menos gente. Aliás, ninguém. As árvores, com tanto oxigénio, cresciam a alturas descomunais e nem sequer havia aves ou flores - apenas vegetação, insetos e árvores. Este 23 de dezembro não foi o de 2013 mas sim o do tempo cósmico, ou seja, há 350 milhões de anos. A Terra tinha aproximadamente 4 mil milhões de anos.

O melhor tempo de antena da campanha eleitoral das europeias deu segunda-feira à noite no National Geographic. Foi a série Cosmos. Hoje, "31 de dezembro" da era cósmica, Jesus nasceu há três segundos e foi anteontem que os continentes se separaram e deram origem à Europa - e aos outros continentes. Sem a "Pangeia" não haveria "Europeias". (lol)

"Breaking News": há poucas horas (5,5 milhões de anos) a crosta terrestre fendeu naquele ponto a que hoje designamos por "Gibraltar " e o oceano entrou para dentro do "Mediterrâneo" - começou a escorrer para um desfiladeiro desértico, monumental, 1,6 quilómetros abaixo do nível do mar. A entrada naquela rotura tectónica foi equivalente a 40 mil vezes o caudal permanente das Cataratas do Niágara durante um ano.

"Soberania". "História". Hoje qualquer pessoas que invoque uma sabedoria histórica sobre factos com 70 anos de atraso transforma-se num sábio. Mas as europeias precisam dos geólogos para discutirmos a questão mais essencial do nosso tempo: as alterações climáticas. Porque é aqui que a Europa tem um papel histórico no Mundo. Os eleitores europeus podem mudar o curso da história.

Voltemos ao Carbónico, 23 de dezembro. A Terra tinha estabilizado como bolinha minúscula de minerais em redor do Sol. Nessa era as gigantes árvores cresciam até ao céu e quando caíam, iam ficando em decomposição durante milhões de anos. Há 250 milhões de anos, exponenciais erupções vulcânicas na Sibéria geraram lava de milhões de metros cúbicos que enterraram aquela massa de centenas de milhões de árvores e vegetação. O carvão que hoje usamos para produzir energia foi "feito" há "seis dias".

O mesmo se passou com o plâncton acumulado nos fundos dos oceanos depois do devastador impacto do cometa que atingiu a Terra há 65 milhões de anos e extinguiu os dinossauros rapidamente - um século. Foi o dióxido de carbono gerado pelos colossais incêndios pós-impacto do cometa que levou ao aquecimento do planeta - por força do efeito de estufa, da nuvem de poeira que tapou o Sol e do desaparecimento da biodiversidade. Nove em cada dez espécies desapareceu da Terra.

É exatamente neste ponto que as eleições de hoje - nesta fração de segundo que é a nossa vida - são de alguma importância. O desenvolvimento da Ciência leva a Terra a um crescimento exponencial da população: nove mil milhões de pessoas em 2050. Associado a isto temos uma extração absurda de recursos do planeta necessários para suprir necessidades básicas De entre estas, a energia é o recurso mais crítico.

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Em menos de um século estamos a trazer à superfície as árvores (carvão) e plâncton (petróleo e gás) acumulado durante milhões e milhões de anos debaixo da terra e oceanos - carbono aprisionado. Com isso estamos a aquecer cada vez mais o clima e a gerar maior degelo, libertando também metano (um gás ultrapoderoso) para o aquecimento da atmosfera. Tudo isto em décadas.

Euro? Fronteiras? Soberania? O australopiteco tem esta forma há apenas 3,5 milhões de anos - após a evolução do mamífero que sobreviveu ao holocausto de há 65 milhões de anos. Só há 50 mil anos o clima estabilizou e permitiu que vivêssemos nesta tépida maravilha verde. Só com esta estabilidade climática o "homo sapiens" pôs fim ao nomadismo com que o "ser humano" se tentou adaptar às turbulências do clima. Fronteiras? Soberania?

"Por que não invocamos o engenho de outras eras para parar as emissões de petróleo e carvão?" - pergunta Neil de Grasse Tyson, o pivot da série Cosmos. Esta pergunta vem dos Estados Unidos - da NASA - e antecipa uma catástrofe global para o próximo nano-segundo (100 anos) se não abrandarmos o aquecimento global. "Estamos longe de sermos senhores da nossa própria casa", remata Tyson depois de um episódio brutal sobre a pequenez do ser humano. Face a isto, não votar é opção?

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