Opinião

Um enormíssimo Porto

1Era difícil imaginar ainda há meia dúzia de anos que o centro do Porto pudesse ser um dos locais mais requisitados para uma passagem de ano, uma espécie de regresso ao São João só que com bastante mais frio. E que isto pudesse atrair turistas de todo o lado e houvesse uma multiplicação de hotéis e "guest houses" e novos restaurantes a fazer ressuscitar uma Baixa que ainda há bem pouco tempo era taciturna e insegura.

Isto acontece porque nova geração de empresários que aproveitou a chegada da Ryanair, Easyjet e o que o turismo podia dar. Perdoem repetir esta ideia, já com bastantes meses, mas era óbvio que Rui Moreira não era o discípulo de Rui Rio. E este sucesso turístico não tinha condições para explodir ainda mais porque Rui Rio não acredita na Cultura como base de sucesso económico, não destrinça entre apoios às atividades "tendência" e as que são apenas "festa". Foram 12 anos de deserto.

Um ano depois das eleições vemos a cidade a casar o urbanismo com os novos eventos, a regressar ao "Ambiente" esquecendo eventos caros e de brutal impacto como era a bizarra corrida de "carrinhos do sr. presidente". A festa de ontem à noite na Avenida foi também de um outro fôlego - melhor promovida, bandas mais modernas e ainda por cima da casa porque conhecem o sotaque e dão o litro porque estão nos Aliados!

Mas é importante assinalar outras ideias estruturais a perfilarem-se no horizonte. O projeto de João Pedro Matos Fernandes, presidente da Águas do Porto, para mudar a face daquela joia marítima que é a Foz do Douro e a Avenida Brasil, fazendo regressar ali o elétrico, é uma das melhores notícias do ano que agora terminou. Porque esta ideia do elétrico não acaba ali: pretende-se que chegue até ao novo cais de cruzeiros que deverá estar pronto no verão deste ano. E embora o elétrico não chegue lá a tempo, lá chegará quando a obra de voltar a instalar os carris que Rui Rio tirou ficar terminada.

Sim, Rui Rio poupou muito mas, do que fez, algumas coisas ainda nos vão sair muito caras. Foram enterrados em betão mais de 10 milhões de euros de um alcatrão e reformatação de passeios para dar lugar a um grande prémio mas que não vão servir para nada no futuro. Pelo caminho Rio ainda arrancou os carris do elétrico (não davam jeito nenhum no Castelo do Queijo, que os carrinhos podiam derrapar) e deixou uma dívida da Câmara à STCP de 900 mil euros por esta grande ideia. E agora temos de voltar a pagar para "estragar" a pista de velocidade e voltar a meter os carris.

Mas esta obra de reabilitação da Avenida Brasil terá ainda a vantagem de tentar desacelerar a via que o anterior presidente ali deixou ficar e onde há um acidente de três em três dias. Quem acharia que a Avenida Brasil deveria ter o melhor alcatrão possível (sem os tais carris do elétrico, para não estorvarem) em duas faixas de cada lado, em linha reta? Claro que os condutores aceleram... E depois atropelam porque há imensos peões na zona.

2. Infelizmente para a cidade, o metro não ata nem desata com novas linhas. Foi uma enorme perda não se ter conseguido construir a mais barata de todas as ligações - a linha entre Matosinhos Sul e a Rotunda da Boavista/Casa da Música - porque tornaria a praia e o Parque da Cidade ao alcance de toda a gente e num passeio sem carro (ao contrário do que acontece hoje). Ainda por cima o desenho para a nova ligação Matosinhos Sul-São Bento (não sendo incompatível com a da Avenida da Boavista) pretende fazer uma bizarra ligação cortando em viaduto o Parque da Cidade a meio... De facto, para Rui Rio, o Parque era o sítio onde os carrinhos andavam à volta ou os aviões da Red Bull estacionavam...

Esó para terminar: estou convencido que os milhões gastos pela Câmara anterior a reabilitar o troço entre a Rotunda da Boavista e o Bessa, não só teve o condão de criar uma completamente supérflua nova entrada para o estacionamento da Casa da Música como fez com que se elimine a hipótese de haver, um dia, o tal canal para um metro ou elétrico rápido a subir a Avenida da Boavista... Enfim, em muitos campos (não todos obviamente) Rui Rio foi um pesadelo de que estamos a sair. A cidade vive.

JORNALISTA

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