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David Pontes

Uma revolução a comemorar

Os 100 anos da revolução russa que agora se cumprem são um excelente pretexto para várias linhas de reflexão. Para muitos, felizmente a maioria, é altura para olhar com horror o desastre que significou a tentativa de instaurar uma sociedade sem classes, sem explorados nem exploradores, superiormente tutelada por um partido único. Para outros, poucos, muito poucos, é hora de enaltecer "a Revolução de Outubro como a realização mais avançada no processo de libertação da Humanidade de todas as formas de exploração e opressão", como o fez o líder do PCP, Jerónimo de Sousa.

David Pontes

Assédio presente

Em 1829, aos 12 anos, Silva Porto, que viria a ficar na história como um dos colonizadores de Angola, emigrou sozinho para o Brasil. Em 1896, os pais de uma criança de dois anos morta por negligência de uma companhia ferroviária norte-americana pediram uma indemnização em tribunal, mas só receberam o pagamento do funeral. Decretou o juiz: "Sendo a criança de tão tenra idade, não tinha capacidade de ganhar dinheiro e, portanto, o arguido não pode ser responsabilizado por danos". Em 1997, em Penafiel, este vosso jornalista ainda encontrou mãos muito infantis empenhadas em transformar granito em paralelos.

David Pontes

A descrispação

Não sei onde é o balcão, mas estou com vontade de o procurar para ver se consigo devolver o que me tinham prometido, mas não está a funcionar. Deixamos para trás aqueles tempos esquálidos em que de cada vez que abríamos o jornal ou víamos a televisão era para descobrir um corte ou um aperto, que nos deixava de mal com o Mundo e connosco. Virada a página, estaríamos agora na República dos Afetos, num cenário de descrispação política que ajudaria a sociedade a viver mais normal.

David Pontes

Meia bola e força

Ao fim de algumas semanas, a "crise política" nem cola nem descola. Os socialistas querem acelerar o relógio para ver se isto passa, diluído no calor do verão e num multiplicar de relatórios e contrarrelatórios. Em contraponto, a Oposição à Direita quer mantê-los bem amarrados a Pedrógão Grande e a Tancos, ampliando o desgaste causado ao Executivo por dois monumentais falhanços do Estado, que poderão ter o seu quê de conjuntural, mas têm muito mais de estrutural.

David Pontes

O país que não existe

Acreditem que ele está lá, mas não existe. Ou se existe, é como se não estivesse lá. É enquadramento, paisagem, figura de estilo, casa de férias, a terra dos meus avós, a propriedade que ficou de herança, o caminho para Espanha, o deserto, a gente tão típica, os de lá de cima, os de lá de baixo... Eles não formulam desta forma, mas é a isto que, com a sua atitude, muitos governantes e políticos portugueses reduzem o país que fica para lá da capital.

David Pontes

Eu vi o futuro

Eu vi o futuro e foi anteontem. Em Vagos. Eu vi o futuro a berrar contra o passado e gostei. O futuro nem sempre está certo e o futuro nem sempre é bom, mas anteontem esteve certo e foi bom. Foi, porque esteve em sintonia com a humanidade e a tolerância, porque se ergueu em respeito da Constituição portuguesa que no seu artigo 13.º, o do princípio da igualdade, diz no seu ponto 1 que "todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei". E precisa no ponto 2: ".Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual".