Opinião

Ao futuro dos candidatos

Ao futuro dos candidatos

Não, a campanha eleitoral para as autárquicas não é coisa fácil. É verdade que bem nos podíamos ir preparando, até porque o ato está marcado para democraticamente se repetir de quatro em quatro anos, mas quer para eleitores, quer para candidatos, no sufrágio para os municípios tudo surge como se fosse ainda a primeira vez.

Para o eleitor que todos os dias vive e convive com os problemas e desafios de habitar um determinado concelho, é a surpresa de descobrir que há tanta gente preocupada com os seus problemas e a viver aquilo tão intensamente que nos perguntamos onde é que andaram no resto do ano.

Como convém não nos perdermos em generalizações, é bom que se diga que aquele punhado de candidatos que são repetentes ou que nos últimos quatro anos acompanharam a realidade autárquica, descobrem também com espanto que as suas vozes têm o poder de despertar atenções, quando nos anteriores três anos e 50 semanas esbarravam no silêncio e na indiferença.

Com honrosas exceções, como a deste periódico, a generalidade dos média não dedicam muita atenção à atualidade local e aos seus protagonistas e, por isso, durante o período que agora termina é um fartote. À superfície vêm questões que atormentam a vida de milhões de cidadãos mas perdem no campeonato da notoriedade para uma qualquer medida legislativa inovadora ou para uma luta corporativa do momento.

Veja-se, por exemplo, a questão dos transportes. Tantas horas perdidas no trânsito para só agora descobrirmos que há tanta gente com opinião sobre como se devem multiplicar as estações de metro, resolver nós rodoviários ou, pasme-se, para propor transportes coletivos com separação de sexos. E há ainda a suprema surpresa de vermos que há dentro de cada candidato um feroz ciclista, que durante o resto do tempo só pedalou em imaginação.

Sim, são campanhas eleitorais, fazem parte das idiossincrasias da democracia e, mesmo que nos entreguemos a algum humor, não vem daqui grande mal. Mas o que ficava mesmo bem, se nos é permitido este pedido como eleitores, é que o fulgor autárquico não se apague a partir de segunda-feira. O que gostaria mesmo é que nos próximos três anos e 50 semanas, candidatos, vencedores e vencidos continuassem a entregar-se a uma participação cívica que faz crescer a cidadania e que não deve ficar encerrada na atividade dos órgãos autárquicos. A democracia agradece.

* SUBDIRETOR

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