Opinião

M&M?

M&M? Nesta interrogação com sabor amargo, apesar das iniciais doces, condensam-se as dúvidas sobre o futuro próximo da Europa e, consequentemente, do mundo. Macron e Marine? É a isto que se resume o nosso destino coletivo? O de ver um país escolher entre uma populista de extrema-direita rançosa e um populista tecnocrático com tiques egocêntricos e, dessa forma, determinar o futuro de um continente?

Aqui, neste continente onde se forjaram as mais importantes ideias da Humanidade - e as mais perigosas - onde se fez o Renascimento, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a Democracia, onde venceu e perdeu o totalitarismo de direita e esquerda, estaremos à beira do terceiro milénio limitados a uma palete tão pouco entusiasmante de escolhas?

É, é mesmo assim. E quando é assim, a escolha é muito fácil. Basta fazer como Obama, que ontem decidiu quebrar a sua fresca dieta política para falar: "Não planeio envolver-me em muitas eleições, agora que não tenho que concorrer novamente ao cargo, mas as eleições francesas são muito importantes para o futuro da França e para os valores que tanto nos preocupam". E por isso, sem hesitação, o ex-presidente apelou ao voto no candidato que tem defendido "valores liberais" que "apela à esperança das pessoas e não dos seus medos", Emmanuel Macron.

Se tudo correr pelo melhor, no domingo venceremos e afastaremos do horizonte a ideia de um país nuclear da União Europeia governado por um partido xenófobo e nacionalista. Mas era bom que não nos deixássemos levar pelo entusiasmo e interiorizássemos a fragilidade do momento que estamos a viver, encurralados entre estas escolhas. Era bom que depois de Trump, depois do Brexit, uma vitória do liberalismo servisse para olharmos para os derrotados. Para aqueles que sentem deserdados da globalização, tementes de um mundo plural, arredados do progresso. Temos de conseguir produzir melhores respostas ou estaremos condenados a viver em sobressalto, de eleição em eleição, sem capacidade de conseguir estabilizar um conjunto de princípios comuns, essenciais à Humanidade, que não sejam constantemente ameaçados por um Mundo que se fecha num regresso ao passado.

É pois sem grande otimismo que vos digo, que a vitória de Macron não deve ser o fim, tem de ser o princípio. Possa ele surpreender-nos. Possamos nós ser capazes de exigir melhor.

* SUBDIRETOR