Opinião

A fé dos professores

A fé dos professores

Comece-se pela conclusão, porque já se tinha percebido há muito. O Governo não vai ceder, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, não tinha mais para dar porque manda o ministro das Finanças, os professores vão para a greve e outras formas de luta. E volte-se ao princípio. O falhanço previsível das negociações com sindicatos sobre a contagem do tempo de serviço leva o Governo a seguir o seu próprio caminho e a obrigar os partidos que o suportam no Parlamento a fechar os olhos na aprovação do Orçamento do Estado. É isso ou uma crise política, com eleições ainda durante o primeiro trimestre do próximo ano. Só serve ao PS. E nem é preciso olhar para as sondagens.

Mas todos olham. Para os barómetros de opinião. Rui Rio enfrenta uma parte substancial do partido que não o quer e vê metástases na própria direção. Anunciou-o, convidando a sair quem não concordar com a estratégia. É muito para um homem só, mesmo que resiliente. Ou tem trunfos na manga com ideias para o país, ou só lhe resta apoiar o Governo no Orçamento para ganhar tempo eleitoral. Assunção Cristas capitaliza sem ter de se esforçar.

O PCP, que promete não condicionar a aprovação do Orçamento à luta dos professores, vai ter de fazer contorcionismo na rua. E o Bloco de Esquerda, sufocado com o caso Robles, precisa desesperadamente de um cavalo de batalha eleitoral. Esse vai para a rua.

Nova volta. Entre as contas dos sindicatos e as contas do Governo vão 445 milhões de euros de diferença. A contagem do tempo de serviço custa 180 milhões de euros se vingar a proposta do Governo de contabilizar apenas dois anos, nove meses e 18 dias, ou 635 milhões se os sindicatos acabarem por vencer o braço de ferro.

Parece muito e o histórico dá razão aos professores. Mas o Governo já está no limite das promessas que pode cumprir.

E há um ano eleitoral para gerir. E boas contas para ganhar eleições.

*DIRETOR-EXECUTIVO

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