Opinião

O silêncio de Rui Rio

O silêncio de Rui Rio

Há só dois temas que verdadeiramente importam nesta rentrée. O Orçamento do Estado. E a nomeação do próximo procurador-geral da República, ou a renovação do mandato de Joana Marques Vidal. O primeiro deixa o presidente da República sossegado. O segundo dará provas do braço de ferro mediático entre a Direita e a Esquerda. Entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa. E vai ditar o futuro das relações entre ambos.

O espaço de Rui Rio joga-se aí. Na eventual fragilização do chefe de Estado numa matéria em que ele tem uma palavra efetiva e em que uma derrota política o fará recuar, abrindo espaço ao PSD para fazer Oposição. O problema é que não só não se sabe, hoje, o que pensa o crítico do Ministério Público Rui Rio, como não se vislumbra uma estratégia para o país.

O problema de Rio não é o silêncio, nem o estilo, nem pensar que o tempo dos dias não tem qualquer relevância para a sua atuação política. O problema é que não se lhe conhece uma visão, por muito que apresente ideias setoriais na Saúde, na Educação ou na Justiça, que podem ser muito boas mas das quais ninguém se lembra.

Sobra a Rio deixar passar que tem uma obsessão contra o partido, numa moralização que o devia fazer marcar pontos se não parecesse que não dá a cara pelo passado, presente e futuro do PSD. Sobra uma liderança fortemente personalizada que não augura longa vida em Portugal, veja-se o PRD de Eanes. E sobram uns pontas de lança que animam as guerras internas. Pedro Duarte, cujos resultados eleitorais nas últimas autárquicas no Porto foram confrangedores. E o quase novo líder partidário Santana Lopes, que sabe que vai capitalizar nas eleições europeias o descontentamento da Direita.

Quando este sábado discursar na rentrée do PSD, do homem que esteve ausente por um mês só ficará uma certeza. Ele vai ficar até ao fim. Não se sabe é quando será o fim.

* DIRETOR-EXECUTIVO

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