Opinião

Pequeno país de gente pequena

Pequeno país de gente pequena

A norte do Mondego vivem uns tipos e umas tipas que não tomam banho, não sabem comportar-se à mesa, não desfazem a barba ou tiram o buço, conforme o género, e cuja mera ideia de pensar que podem ser responsáveis por algo de maior responsabilidade, sim, a repetição é propositada, causa um clamor de ameaça à saúde pública nacional e, pasme-se, até mundial.

As declarações da presidente do Infarmed Maria do Céu Machado, que regula o setor do medicamento em Portugal, perante deputados silenciosos, só não assume uma maior gravidade porque somos um país de brandos costumes. E amanhã já não passa nada.

Diz a senhora, arrepiada com a possibilidade de o Instituto do Medicamento ser deslocalizado para o Porto, que correríamos o risco de estar perante uma ameaça para a saúde pública planetária. E de permeio dá cabo da reputação de investigadores e de um relatório pedido pelo Governo que avaliza a mudança, sem que ela apresente dados concretos, sem trabalho algum por detrás, apenas fundada no desespero de perder o lugar ou de ter que sair do sofá. Os deputados também. Provavelmente sem sequer terem lido o documento, diziam amén, como quem põe like no Facebook.

A questão não é o Infarmed ir para o Porto, que não há de ir, ou se for será pouco mais do que um apartado, fiquem descansados, numa tentativa de agradar à cidade pouco pensada depois do imbróglio que foi a candidatura à Agência Europeia do Medicamento. A questão, e repete-se o que aqui já se escreveu, é este país ser pequeno, mas gerido ao mais alto nível por gente mais pequena ainda.

Felizmente que, a sul do Mondego e na capital do império, a maior parte das pessoas mantêm a sanidade e a inteligência normais que não se veem em tantos que ocupam lugares de grande responsabilidade com grande irresponsabilidade.

DIRETOR-EXECUTIVO

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