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Marcelo, o país de Costa

Marcelo, o país de Costa

O Governo não seria o mesmo sem Marcelo. Marcelo seria o mesmo com qualquer Governo. E António Costa pressente que já pisou por várias vezes o risco do otimismo do presidente da República. Irritante para a Esquerda. O otimismo.

Como o próprio presidente assumiu em Andorra na rábula involuntária da modinha do pisca pisca de Ruth Marlene, ele ora vira para a Esquerda, ora vira para a Direita, mesmo que a Direita de então não visse. Porque a Esquerda vê.

António Costa vê. E sabe. Que Marcelo Rebelo de Sousa precisa de um primeiro-ministro só para ele. Ele traz o país em sossego, a puxar para o centro, para as pessoas, para os problemas do dia a dia de quem não vive em S. Bento.

Esse foi o primeiro grande erro destes dois anos de Governo. Não perceber que o momento distendido de que o país precisava não é o mesmo que deixar o país sem rumo. Deixar à vontade não é o mesmo que deixar à vontadinha. Os falhanços do Estado são os falhanços do Governo.

E António Costa falhou. Falhou ao não perceber a tragédia de Pedrógão. Falhou ao não acautelar para que a tragédia não se repetisse. Falhou em Tancos e falha quando não percebe que Marcelo já pediu seguramente sete vezes pressa nos resultados da investigação. Falhou quando correu para as redes sociais a indignar-se com o jantar no Panteão, antes que Marcelo se indignasse primeiro. Falhou na gestão atabalhoada dos protestos dos enfermeiros, dos médicos, dos técnicos de diagnóstico, dos professores. Falhou quando a mensagem sobre a deslocalização do Infarmed de Lisboa para o Porto tropeçou nas palavras titubeantes do ministro da Saúde (ver o P.S. abaixo). Costa vai poder ir falhando em tudo. Menos com Marcelo. E desde que a economia ajude.

O primeiro-ministro é demasiado hábil para falhar tanto. Mas está só. E os próximos dois anos não vão ser fáceis. O Governo precisa de mais ministros eficazes. O PCP e o Bloco estão a pensar nos eleitorados. O PSD há de estar mais ativo. O CDS já tem um caminho. E Marcelo. O presidente sente-se o país e o país sente-se representado no presidente. Vai causar nervoso miudinho.

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P.S. Pode-se criticar o atabalhoamento da decisão. A incompreensão do momento. A instituição escolhida. O que não se pode é gritar que a segurança e a saúde ficam em causa se o Infarmed for para o Porto. O que se deve é discutir o virtuosismo da descentralização e trabalhar em cima de uma reforma efetiva. Se está tudo na capital, o primeiro passo é dar ao país o que nunca se deu. O que só se faz retirando de onde está. Ponto.

Diretor-executivo

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