A abrir

Na sala de aulas

Os acertos estão por fazer, mas está aberta a porta ao reconhecimento do tempo de serviço reclamado pelos professores no processo de descongelamento de carreiras. Um reconhecimento que está longe da força imediata exigida pelo setor, mas que é um sinal inequívoco por parte do Governo, mais significativo ainda se atendermos ao esforço orçamental que implica.

A reposição de alguma justiça salarial não resolve, nem de longe, todos os desafios que quem segue a carreira docente enfrenta. A começar pela falta de estabilidade e constante mudança de escola, com as dificuldades pessoais e profissionais causadas por esse permanente vaivém. Prosseguindo na burocratização da função e no fechamento de vagas que conduziu ao envelhecimento da classe.

Não resolvendo tudo, a cedência do Governo é uma valorização do papel dos professores. Que lhes dá, tanto a eles como à tutela à qual cabe definir políticas que dignifiquem o ensino, uma responsabilidade renovada. Na luta dos últimos dias, foram os sindicatos a tecer comparações entre a reivindicação dos professores e a situação dos restantes funcionários públicos. E a verdade é que a progressão é mais simples e a avaliação menos exigente para os primeiros do que para os segundos.

Os professores têm razões para se sentir desvalorizados, num tempo em que é muita a indisciplina dentro das salas de aula, pouca a participação dos pais no processo e excessivo o foco nos resultados quantitativos em detrimento da valorização do próprio processo de aprendizagem. Mas também é verdade que o discurso da desmotivação e da itinerância têm conduzido a uma relação cada vez mais formal de muitos professores com os alunos, a menos envolvimento em projetos extracurriculares e a níveis de absentismo que o Ministério da Educação evita a todo o custo divulgar.

Não é frase feita: os professores têm mesmo um papel crucial para o futuro do país. É legítimo que exijam condições adequadas para a missão que exercem. E que essa valorização se traduza em maior transparência e trabalho, em parceria com as instituições que rodeiam a escola.

Sobra o outro lado dos protestos. O político. É que não faltam na Função Pública outras carreiras a exigir o mesmo tratamento dado agora aos docentes. E se é na rua que se negoceia, no que foi uma trapalhada política contada ao minuto, é na rua que o Governo vai sentir cada vez mais a pressão dos partidos que o apoiam no Parlamento.

* DIRETOR-EXECUTIVO

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