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Negócios da política

Negócios da política

1 Nenhum primeiro-ministro aliena capital político. Presente e futuro. Não deixa por isso de ser estranho o violento ataque que António Costa fez à Altice (antiga PT), no Parlamento e durante o debate do estado da nação, um dia antes de a empresa anunciar a compra da TVI, uma estação de televisão que não é propriamente de vão de escada.

Recorde-se. António Costa disse temer o desmantelamento da empresa de telecomunicações. E citou o caso da Cimpor. Acusou a falência do sistema nos incêndios de Pedrógão Grande. A única que não correspondeu. E anunciou as suas escolhas, privadas, mas que são públicas por serem de um primeiro-ministro: ele já tem a sua operadora e não é com certeza essa.

António Costa não é um comentador de televisão. O que diz tem impacto e influência direta no mercado. António Costa é um político demasiado hábil para cometer erros primários. Portanto, não os cometeu. Nem para agradar à Esquerda que o apoia no Parlamento. E o Governo já sabia do negócio. Tinha que saber.

Não há, portanto, muito por onde escolher: ou Costa esteve politicamente contra a compra da TVI e perdeu. Ou Costa esteve a favor e ganhou, mas tem de parecer o contrário para não avivar a memória de tentativas de negócios passados, então com a PT, Sócrates e a TVI.

2 É melhor baixar as expectativas. Só por um milagre da política, e sabemos como são os milagres da política, o Porto será sede da Agência Europeia do Medicamento. E o Governo sabe-o. Por variadíssimas razões, a começar no facto de haver dezenas de cidades europeias sem qualquer organismo semelhante e a acabar na falta de tempo para preparar uma candidatura efetivamente forte. E não, Lisboa não era a melhor opção pela simples e óbvia razão de que já tem duas agências europeias. Esqueçam o argumento de Budapeste. Agência europeia descentralizada só tem uma.

Mas o recuo e presente aparentemente envenenado do Governo é uma vitória simbólica da cidade, da região e do país. E tem nomes. Dois eurodeputados (Paulo Rangel e José Manuel Fernandes), que cumpriram o efetivo trabalho de representantes do país e não se calaram quando tudo se preparava para apascentar a candidatura da capital. Presidentes de câmara (Rui Moreira, sim, embora timidamente no princípio, e outros da Área Metropolitana do Porto). Candidatos autárquicos, como Manuel Pizarro e Álvaro Almeida, sim. E, claro, deixem lá puxar a brasa à sardinha, o trabalho jornalístico incansável de perguntas persistentes do "Jornal de Notícias", que deitaram por terra argumentos governamentais vazios.

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Não, insiste-se, não é uma luta serôdia Norte-Sul. É da defesa de um país mais equilibrado que se trata aqui. Ao Porto só resta, no curto espaço de tempo que tem, apresentar um projeto forte, ganhar a experiência da candidatura e criar o precedente. Só assim se impedirá que perder seja o argumento para o eterno retorno a Lisboa.

DIRETOR-EXECUTIVO

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