Opinião

O estado da nação em férias

O estado da nação em férias

António Costa vai de férias com receitas extraordinárias maiores do que as de 2019. E muito à custa do IVA. O crescimento da receita fiscal em 28,1% vem dos bolsos dos portugueses e dos que estão a pagar a mais, sobretudo pela conta do supermercado. E é por isso que o país fica a olhar para o fim das férias sabendo que o contexto é tudo menos favorável. O primeiro-ministro prometeu um pacote de medidas para as famílias e empresas já em setembro. E ninguém vai compreender que o vigor com que vier da época balnear não seja acompanhado de apoios robustos, e não apenas de medidas pontuais e tímidas. Porque de substancial temos tido pouco.

Esse é o verdadeiro estado da nação. Depois houve outro. O do debate parlamentar, do qual não sobra memória nem história, face à dura realidade que as famílias já estão a enfrentar, com dois ajustamentos em simultâneo ao poder de compra: a inflação a trepar até aos 10% e a subida vertiginosa da prestação da casa a acompanhar as taxas da Euribor.

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No Parlamento, o mundo parece ser outro. Da esquerda do PS, que defendeu o posicionamento que se esperava sobre a necessidade de aumento de salários, rápido e por decreto, passando pela direita, com o mantra do preço por litro da gasolina e do gasóleo, do empobrecimento, o baixo crescimento económico e a elevada carga fiscal.

Do Governo já se sabe. Tudo o que não corre bem deve-se a fatores externos, ou à pandemia, ou à guerra. Para, a seguir, os ministros se regozijarem com anúncios como o maior crescimento económico da história recente, que assumem como sendo da total responsabilidade dos próprios.

Este é, portanto, o tempo em que se tecem flores mediáticas sem se cuidar, para já, de mostrar a solidez dos meios que atenuem o esmagamento a que estamos sujeitos, sobretudo quando concorrem vários fundos europeus, desde o PRR, o Portugal 2030 ou o que falta executar até dezembro de 2023 do Portugal 2020.

António Costa aproveitou o palco para afirmar que "também vai ao supermercado", tendo acenado, como ponto alto, as creches gratuitas para crianças no primeiro ano de idade. Os portugueses também vão ao supermercado. A questão é o que conseguem comprar e quantas vezes podem ir.

*Diretor-geral editorial

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