Opinião

Os caminhos de Rio

O contexto, em política, determina muitas vezes o sucesso. Já aqui se escreveu. O contexto do PSD era adverso a Rui Rio, com um partido profundamente dividido e a ânsia de encontrar um vencedor senão para o país, pelo menos para liderar a Oposição. E ele venceu.

O contexto do país aparenta ser favorável a um líder com o perfil financeiro, granítico, mas decidido do renovado líder dos sociais-democratas. Curiosamente, Rui Rio, presidente do PSD há quatro anos, consegue hoje surgir aos olhos do eleitorado com uma frescura que António Costa não conseguiu, ainda, demonstrar.

É essa ideia instalada que o leva a não ter que se esforçar para convocar os seus opositores internos, de Paulo Rangel a Miguel Pinto Luz, dos passistas aos cavaquistas, num momento crucial para vencer as eleições. Que o leva a dividir o partido entre os do aparelho bom, os que lhe são leais, e os do mau, aqueles que se lhe opuseram.

As listas para deputados são, por estas razões, o espelho do partido que o apoiou. Um partido, num momento destes, demonstraria ao país o seu poder de atração para além do PSD, a capacidade de trazer para dentro personalidades da sociedade civil com mérito e reconhecimento públicos inquestionáveis.

Esta forma de estar na política demonstra a dimensão da liderança, de alguém que está a jogar para ganhar perdendo, com um resultado, em caso de derrota, que lhe permita ter uma palavra a dizer na governação até os eleitores serem de novo chamados às urnas. E para isso precisa de uma bancada parlamentar alinhada.

Claro que Rio sabe falar por cima do partido e tocar diretamente num eleitorado nervoso com o estado da pandemia e da economia.

É este quadro que fará com que o congresso deste fim de semana seja o momento da entronização do líder do PSD, mesmo que uma ou outra voz dissonante se mostre para o futuro. Por esta razão, espera-se que Rio dê início a uma confrontação mais acentuada com o Governo de António Costa.

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Essa será a medida dos aplausos. Mas, para o dia 30, contar apenas com o contexto pode não chegar.

*Diretor-Geral Editorial

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