Opinião

Os homologados

Seria difícil fazer pior quando finalmente o partido começava a fazer tudo bem. José Silvano, coordenador autárquico do PSD, anunciou com pompa a primeira leva dos cem candidatos às eleições locais, 23 novos e 77 recandidatos, para que no fim do mês o processo esteja concluído.

Depois de lançarem em Lisboa o trunfo Carlos Moedas, ex-comissário europeu, administrador da Gulbenkian, próximo de Passos Coelho e dos críticos de Rio, que aposta em juntar a Direita contra uma Esquerda dividida, os sociais-democratas davam um sinal de dinamismo, até para ofuscar o caso mal contado do convite a Rui Moreira, no Porto, para encabeçar a lista do PSD.

Valerá a pena revisitar esses dias, ou esses almoços e jantares, para tentar perceber quem enganou quem. E quem é que Rui Rio deixou cair nesse namoro, que começou no verão com um almoço entre o autarca do Porto e o destacado dirigente do PSD Salvador Malheiro, e acabou abruptamente num jantar há duas semanas, também com o presidente vareiro, e José Silvano. E se efetivamente o independente Moreira e o seu Movimento andavam assim tão desesperados e suplicantes pelo apoio do PSD.

Mas voltemos aos cem autarcas, esperando pelos desenvolvimentos do Porto e pela argúcia do PSD em encontrar um candidato para desenvolver a história, se é que há dúvidas do que efetivamente se passou.

O número do anúncio de José Silvano, incluindo com magnanimidade entre a centena de nomes o de Carlos Carreiras, de Cascais, apontado por Rio como o responsável pelos maus resultados das últimas eleições locais, mais não foi do que um processo de homologação da Direção Nacional. O autarca de Oleiros, por exemplo, diz que nem sequer foi contactado: "É um abuso". E somam-se outros que criticam a pompa e a forma, como em Aveiro e Feira.

Parece confuso? Não é. Se quiserem, os 77 presidentes incluídos podem continuar na luta, que a Direção homologa. Citando o já citado Salvador Malheiro: "Agradeço muito a confiança e a deferência do meu Partido, contudo quero esclarecer que continuo presidente da Câmara Municipal de Ovar e no seu devido tempo decidirei se sou ou não recandidato para mais um mandato".

O futuro de Rio está menos dependente do resultado eleitoral e mais da sua agenda para o país, o partido e ele próprio, como não se cansa de repetir. Mas há voluntarismos sem diálogo que se pagam caro. Homologados ou não. Faltam 208.

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Diretor-geral Editorial

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