Opinião

Os velhos, senhor (II)

Os velhos, senhor (II)

Vale a pena revisitar a semana. Perante o aumento consistente de casos de covid-19 na Grande Lisboa, o autarca de Ovar pede um cerco a Lisboa.

O de Lisboa responde com a sobranceria de quem está na capital, sem perceber as razões de Salvador Malheiro, mas sobretudo sem fazer a mínima ideia do que foi ter um concelho cercado, sujeito as pressões políticas, económicas e empresariais dos seus munícipes. Nenhum sai bem na fotografia, porque nenhum percebe as circunstâncias externas e internas da imagem do país, com a diferença de que o presidente vareiro não menorizou as populações de Lisboa. E essa é uma grande diferença.

É de política, só, que falamos. O primeiro-ministro, contam as notícias não desmentidas, irritou-se com a ministra da Saúde pelos dados contraditórios que tem recebido sobre a evolução da pandemia. E sem informação não há combate eficaz. Foi no dia da reunião no Infarmed com especialistas, finda a qual o presidente da República teve que amparar o andor, o PSD e o CDS vieram alertar para uma segunda vaga e em que não faltaram fontes técnicas a contraditar a informação oficial.

Quase ao mesmo tempo, a juntar aos países que colocaram Portugal na lista negra sem razões científicas válidas para o fazer, o Reino Unido, uma das principais fontes de turismo do país, deita por terra os esforços do ministro dos Negócios Estrangeiros português de criar um corredor entre os dois países. O verão vai ser muito duro para alguns setores da economia.

Tudo isto na semana em que, de S. João da Madeira, a Braga, terminando no Porto, a noite mais longa do ano que é a do santo João foi vivida recatadamente nas casas, não deixando a Invicta, que ainda somou um dérbi de vizinhanças difíceis, de se encher de balões, de pequenas manifestações de fogo de artifício e do cheiro da sardinha assada. Tão recolhidamente que a Direção-Geral da Saúde emitiu recomendações e cuidados a ter no dia seguinte aos festejos noturnos.

E no meio dos anúncios de multas e medidas duras para controlar o que se deixou descontrolar, o país continua distraidamente a olhar para o lado no drama que regressa aos lares, sem medidas concretas que protejam os nossos velhos e que evitem ter que os voltar a enclausurar longe dos familiares.

*Diretor

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