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Opinião

Pensar no futuro

Se estava criado um ambiente de pressão sobre o Conselho de Ministros de hoje, que vai decidir se o plano de desconfinamento se mantém e com que contornos, o presidente da República serviu de amparo.

Mesmo que a dramatização sobre o risco de dentro de duas semanas passarmos a taxa de incidência dos 120 casos por 100 mil habitantes, o alarme com os 22 concelhos acima desse limite ou o ruído imenso em torno das infeções nas escolas o tentassem a ser mais conservador.

É natural que os especialistas defendam posições cautelosas, colocando sempre a vertente sanitária acima de tudo. Mas a saúde é apenas uma parcela desta equação. E a perspetiva global é muito mais complexa. É económica, é social, é de saúde mental, é de valorização da educação, é de um conjunto de prioridades que disputam terreno entre si.

Foi esse discurso de valorização da capacidade dos portugueses de responder ao confinamento, mas essencialmente sobre a urgência que se coloca ao Governo na reconstrução do país, que Marcelo acentuou. Sublinhando sobretudo que se a economia demorará a dar passos, muito mais demorará a recuperação de uma sociedade desestruturada e sem esperança.

Vamos ser objetivos: a situação está controlada como há muitos meses não estava. Estamos dentro de todos os indicadores que até há pouco eram tidos como relevantes - taxa de incidência, positividade dos testes, capacidade de resposta dos cuidados de saúde. É certo que o primeiro-ministro António Costa apresentou uma matriz ambiciosa e agora está politicamente amarrado a ela, mas não se vislumbram motivos sérios para alarme. Até porque finalmente há testes massivos em escolas, há autotestes e muitos positivos resultam destas medidas há tanto reclamadas.

O travão deve estar sempre à mão, como o presidente da República quis deixar subentendido? Sem dúvida. Mas é preciso que o perigo esteja realmente à vista. Não apenas em perspetiva. Se cedermos excessivamente ao ruído e continuarmos a achar que fechar atividades e manter pessoas fechadas é a solução, o país morrerá em casa. Da cura e não da doença. É altura de pensar mais no futuro.

Diretor-geral editorial

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