Opinião

Tem a palavra o Parlamento

Tem a palavra o Parlamento

Não se esperava uma crise política como a que se prenuncia. E se é teatro, de sombras, brincam às contas com os portugueses, com o presidente da República a ter de subir o tom dos avisos. Porque não se percebe. Do que é que falamos?

Um Orçamento do Estado reflete sempre a visão de um Governo para o país. As obras com Cavaco Silva, o Estado social mais forte com Guterres, as renováveis com Sócrates, a necessidade de controlar as contas públicas com Passos Coelho.

Dos governos de António Costa impera sobretudo a necessidade de pensar o deve e haver das contas com o primeiro e último objetivo de fazer obter a aprovação dos parceiros. Voltou a fazê-lo agora, com maior ou menor exposição.

É também por isso que ano após ano fica sempre a sensação de vazio, de que falta algo de "novo". O documento distribui pelos vários setores os montantes do Plano de Recuperação e Resiliência, mas não traz novidades do ponto de vista das reformas estruturais.

E este seria o momento, com os milhões do PRR e a "oportunidade única" que ele traz para conseguir ir mais longe.

É à luz dessa ambição que podem ser enquadradas críticas da Oposição, que à Esquerda tem, ideologicamente, perspetivas divergentes em relação ao Governo sobre o rumo a seguir num momento de recuperação da economia.

São normais os recados políticos de que "não há razões" para não aprovar este Orçamento, e de que "o país não entenderia". O Governo não pode, contudo, esquecer-se que o país não lhe deu maioria absoluta. Um Governo minoritário está obrigado a negociar no Parlamento. E a negociação não é um problema, decorre da escolha democrática dos eleitores e do funcionamento saudável das instituições.

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O Governo apresentou a sua proposta. Tem a palavra o Parlamento, mas sujeita a grande pressão de Marcelo, que ultrapassa os habituais apelos à estabilidade. O que a Esquerda não parece entender é que uma crise política neste momento a arredaria durante largos anos do poder. Sem querer, Rui Rio ainda chega lá mais depressa do que alguma vez sonhou.

*Diretor-geral Editorial

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