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Editorial: Voltar à escola

Editorial: Voltar à escola

Cercado pela Oposição e pela intranquilidade a tomar conta das escolas, forçado pelo empurrão final do presidente da República, António Costa fez esta quinta-feira ao país o anúncio que tentou a todo o custo evitar.

Numa declaração curtíssima, seco e direto ao assunto, deixou claras as razões sociais da resistência em encerrar as escolas. Em vez de mandar os alunos para o regime de ensino à distância, condenando à partida os mais frágeis a um acesso desigual, o Governo determina uma suspensão que mantém o foco no ensino presencial.

Em uníssono, contendo os danos políticos de uma hesitação que fragilizou o primeiro-ministro, Costa e Marcelo salientaram o impacto impossível de compensar causado por esta interrupção. Se optasse pelo regime de ensino à distância, o Executivo estaria a criar condições para uma sensação de falsa normalidade na continuidade do ano letivo que tornaria mais difícil o regresso. Com uma pausa curta, a prioridade é colocada na criação de condições para um regresso rápido à escola, ajustando o calendário na tentativa de mitigar os atrasos nas aprendizagens. Atividades para alunos com necessidades educativas especiais e comissões de proteção de menores em risco mantêm-se em pleno funcionamento, evitando falhas graves do primeiro confinamento.

A escalada avassaladora dos números tornava inevitável a paragem total das atividades. Com os hospitais na antecâmara de um cenário de catástrofe, é urgente travar contactos e quebrar cadeias de transmissão. E essa é uma responsabilidade de todos, agora como o foi desde o início. O preço desta medida não é apenas pago por uma geração, mas por um país com défices crónicos na Educação, que travam um modelo de desenvolvimento assente em inovação e qualificação.

Fechar um país, apesar de difícil politicamente, é na prática relativamente simples. Reabri-lo e recuperar o seu ritmo, nas mais diversas áreas de atividade, é substancialmente mais difícil. Tomar decisões exige, num contexto tão adverso, coragem e firmeza, sem mudanças de estratégia de três em três dias. Mas exige igualmente capacidade de olhar para a perceção social das medidas, para a resposta da comunidade ao que se lhe pede, para a necessidade de constante reavaliação do rumo traçado. Dar condições de segurança ao país para que os alunos não fiquem muito tempo em casa é agora a missão mais difícil do Governo.

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