Opinião

O que posso esperar

Entre o saboroso e a tragédia haverá seguramente razões para ambas as sensações no ano findo, com o desempenho da economia a servir de suporte à primeira e as lamentáveis ocorrências dos incêndios de primavera e outono a trazerem de novo à evidência um país assimétrico na sua coesão territorial, entregue às mãos de um Estado centralista e incompetente. E mesmo o notável e genuíno esforço do nosso presidente da República no apoio aos mais diretamente atingidos não me apaga da memória o leve sabor amargo da sua ação no passado, em que foi, tal como o seu antecessor, um dos responsáveis pela ausência de um poder regional efetivo. Por isso nesta matéria não tenho ilusões, bastando observar as sucessivas promessas e propostas de alteração desconexas, quase sempre ao sabor das conveniências de ocasião, que a partir de agora serão cada vez mais geridas em função do calendário eleitoral.

Do meu lado terminei um ano tranquilo, em que a motivação foi sempre idêntica e elevada, fosse para apoiar um importante investimento direto estrangeiro num centro de investigação em biotecnologia no Porto, ou um outro da Universidade do Porto em Ciência Animal na Maia, passando a partir do verão a estar concentrado e focado na melhoria da performance em ciência e inovação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Sempre me senti bem assim, fazendo de cada projeto o mais importante de sempre, independentemente do local onde se situa. Valorizei como nunca me tinha acontecido uma distinção pessoal, desta vez por parte de uma confederação de empresários da Galiza, em especial porque os resultados do esforço realizado no apoio ao aumento da competitividade do tecido empresarial estão à vista. Fiquei triste por o meu clube ter sido segundo no campeonato, mas isso apenas me faz ter ainda mais empenho em tentar ganhar o que agora decorre.

No último sábado do ano decidi, com tristeza, comprar pela última vez o "Expresso". Algo que fiz durante os últimos 35 anos de forma ininterrupta, mesmo quando nos anos oitenta estava em França e recebia o jornal por correio alguns dias depois. O problema poderá ser meu, mas não consigo encontrar mais motivação para ler algo que sinto ter perdido o último pingo da seriedade irreverente que me levou sempre a ser seu leitor e seguidor atento.

PROF. CATEDRÁTICO, VICE-REITOR DA UTAD

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