Opinião

A importância das boas decisões

A importância das boas decisões

A Comissão Europeia acordou na criação de um fundo de apoio financeiro que permita aos países da União uma recuperação mais rápida da situação económica e social, face aos inúmeros problemas resultantes do primeiro surto da pandemia covid-19 e os sobressaltos permanentes das alterações de novos casos e focos de contágio.

Em Portugal, é em torno do documento solicitado pelo Governo a uma personalidade externa e contributos posteriores que se tem centrado a discussão da utilização deste envelope em forma de subvenção, bem como da sua articulação com o novo ciclo de fundos estruturais.

Uma das propostas de investimento público que é colocada de forma assertiva está centrada na modernização do transporte ferroviário, de passageiros e mercadorias. Desde logo a urgência em corrigir de vez o insucesso da modernização da ligação entre o Porto e Lisboa, que, após muitas centenas de milhões de euros gastos, continua a demorar o mesmo tempo de 40 anos antes do comboio conhecido como "foguete", que ligava as duas cidades em três horas.

Urge por isso uma solução técnica que permita uma ligação regular e cómoda, num tempo inferior a duas horas, com impacto positivo na competitividade do país. É óbvio que o atraso nesta matéria obrigará a um esforço que vai para além deste troço prioritário, como é o caso do trajeto de Valença a Faro, que inclui o troço atrás referido e a articulação com Braga, num país cujos contornos geográficos são marcados por uma forte concentração litoral da população.

Mas a ligação da nossa rede ferroviária com Espanha é igualmente decisiva, sendo também crítica a modernização das ligações de Aveiro a Salamanca e Sines a Caia, Elvas. Do mesmo modo não é aceitável o estado atual da linha do Douro, sobretudo a partir de Marco de Canaveses, sendo que se devia ponderar seriamente a possibilidade de uma nova alternativa de ligação europeia por este canal.

A ausência de uma estrutura ferroviária moderna é uma forte restrição à melhoria da competitividade, pelo que a importância de uma boa decisão parece óbvia.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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