Opinião

A nova ordem económica

A nova ordem económica

Tentando evitar um ressurgimento da pandemia, recuperamos lentamente hábitos e atividades essenciais ao normal funcionamento da vida em sociedade.

Serenamente, analisamos o enorme sobressalto desta paragem súbita da atividade económica e social, para perceber como aqui chegamos e ficamos dependentes de canais únicos de fornecimento, de desvios no seu percurso, da especulação inevitável sobre os preços e das longas esperas para aquisições urgentes com rastreabilidade duvidosa.

A resposta global do sistema do conhecimento, da investigação à inovação, foi muito positiva. Desde a partilha imediata dos meios disponíveis existentes nas universidades com os hospitais, suprindo as carências iniciais aqui verificadas, passando às meritórias e rápidas iniciativas que permitiram um incremento na rede e capacidade analítica de deteção da covid-19, até às componentes mais ligadas à inovação produtiva, das máscaras reutilizáveis aos ventiladores. Ou seja, o sistema científico e tecnológico reagiu ao desafio, adaptou-se e mostrou ao país a importância do investimento no pipeline da criação de conhecimento.

Somos agora obrigados a ser ainda mais inovadores, se quisermos recuperar de forma sustentada a riqueza que se esfumou repentinamente. O Governo e a União Europeia terão de equacionar a reorganização da matriz produtiva que nos permita, no futuro, ver graus de dependência diminuídos e ter fluxos alternativos de fornecimento de bens e serviços, mesmo que numa análise financeira mais imediata estas decisões possam não ter sinal positivo. Temos também de nos reinventar na forma como oferecemos os nossos serviços, nomeadamente os ligados à área do turismo. Não podemos de repente transformar restaurantes, hotéis e praias em espaços de teste ao sistema métrico. Pelo contrário, temos de vender de forma genuína e transparente que em destinos como o Douro ou Alentejo, não estamos a separar pessoas por metros, antes mais, a dar-lhes a oportunidade de acesso a lugares únicos, em que a cada um damos o privilégio de usufruir de hectares de natureza saudável.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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