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Opinião

A organização da universidade

A organização da universidade

Durante muitos anos as universidades assumiram que a sua função primordial se concentrava na graduação dos recursos humanos que a ela acediam. Até à década de setenta o acesso o Ensino Superior era restrito e maioritariamente concentrado nas classes sociais mais elevadas. Só a partir daí se assistiu a uma massificação progressiva deste nível de ensino, muito marcada pelo arranque das "novas universidades", acompanhado pela instalação do ensino politécnico, parte do qual evoluiu posteriormente para ensino universitário. Para termos uma ideia dos valores em causa, temos que em 1978 se encontravam 81 582 alunos matriculados no Ensino Superior, passando este valor para 385 247 em 2019.

As atividades de investigação e inovação, até então muito arredadas das universidades, tiveram um enorme crescimento, sobretudo assente num conjunto de pessoas doutoradas fora do país, com realce para o Reino Unido e Estados Unidos da América, que trouxeram para a academia novos desafios e exigências e foram capazes de ultrapassar as fortes resistências internas, assentes num sistema decrépito e desfasado do que se passava num mundo em transformação acelerada. O investimento público em I+D passou de 0,2% do PIB em 1986 para 0,72% em 2019, a que não podemos também deixar de somar os progressivos investimentos em investigação aplicada e inovação por parte do tecido empresarial. As universidades modernizaram-se e a investigação ganhou uma importância crescente relativamente ao pilar único do ensino. A partir do início deste século, a universidade percebeu definitivamente que não poderia mais viver no seu mundo isolado, passando então a relação com o tecido social e económico a constituir um verdadeiro terceiro pilar do tripé: ensino, investigação e desenvolvimento económico e social.

O desígnio das universidades prende-se sobretudo com a perceção pela sociedade do equilíbrio entre estes três pontos: definitivamente, passarão a ser reconhecidas pelo conhecimento que produzem e pela forma como o disponibilizam. As mais eficientes tenderão, naturalmente, a captar os melhores alunos.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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