Opinião

A redescoberta do território

A redescoberta do território

Em fase de saída de um confinamento obrigatório, imposto pelos estados de emergência e calamidade, vivemos com intensidade os primeiros dias da redescoberta da liberdade de movimentos. São os vários passadiços serpenteando dunas, montanhas com vistas de cortar a respiração, ou as margens das muitas marginais dos rios. Ocupamos com alegria as esplanadas, passeamos a pé, ou de bicicleta, pelos espaços livres dos muitos arruamentos reservados para tal.

Assim, de repente, começamos a descobrir as designadas zonas de baixa densidade de que tanto se fala, mas que curiosamente muito pouco se têm explorado e conhecido. São as narrativas sobre as fantásticas quintas do Douro, território genuíno, que vai muito para além da produção do mais fantástico vinho do Mundo. Fala-se dos nossos parques e reservas naturais, do Gerês a Montesinho, passando pela Malcata, Litoral Alentejano e Ria Formosa, só para citar alguns dos espaços de natureza genuína e transparente, onde não separamos as pessoas por metros, mas lhes damos a oportunidade de acesso a hectares de natureza saudável. Temos as serras beirãs, com caminhadas e descobertas de paisagens únicas e diferentes de qualquer escrito. Os montes das planícies alentejanas, onde se tem investido na preparação para receber visitas, são invadidos de gente ávida se sentir a liberdade de um espaço cheio de papoilas, com campos a perder de vista. São as inúmeras praias, com areais discretos e ainda preservados, que permitem o saborear e a vivência da frente atlântica que nos define como país.

A restauração e os espaços citadinos mostram uma retoma mais lenta, em especial quando comparada com os meses, ou anos, de perfeita loucura em densidade turística permanente, que tendo sido essencial para o desempenho económico do país, nos levou algumas vezes a questionar a sustentabilidade do seu crescimento. Para além do país que somos, o que esta retoma mostra são as inúmeras vantagens de olhar para o território como um todo, em que cada espaço representa um contributo positivo para o nosso futuro.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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