Opinião

A segurança e a sua perceção

A segurança e a sua perceção

Os valores ligados ao conceito de segurança são bastante mais vastos do que os episódios correntes que nos assolam através dos média. Num mundo ideal poderíamos imaginar a vigilância policial como dispensável, dado que ninguém faria nada que a tornasse necessária. Mas, facto, sabemos que a realidade é diferente desse imaginário, o que faz com que a segurança constitua uma das mais importantes tarefas de um Estado de direito. Não devemos nunca esquecer que a primeira e mais primordial função de uma força policial é zelar pelo bem-estar de todos e cada um de nós.

As últimas décadas obrigaram à reconversão de modelos e práticas tradicionais. A integração de Portugal no espaço Schengen colocou desafios sérios ao controlo da mobilidade de pessoas e bens neste território europeu. O desaparecimento das fronteiras físicas terrestres acrescentou riscos naturais na entrada de cidadãos dentro deste espaço, o que acabou por colocar uma pressão acrescida em pontos nevrálgicos como aeroportos. Só esta componente exigiria, de per si, que os meios tecnológicos utilizados, formas de atuar e formação especializada dos recursos humanos envolvidos tivessem sofrido uma enorme evolução, que devemos questionar se terá acontecido, à luz dos incidentes mais recentes.

Mas convém também esclarecer que a necessidade de articulação de um sistema de segurança moderno vai muito para além das fronteiras em aeroportos. O controlo de bens transacionáveis, que até 1993 era realizado por controlo físico e documental a 100% no espaço das fronteiras terrestres, com o desaparecimento destas, passou a ser efetuado por amostragem aleatória, o que faz aumentar os riscos de fraude, não só ao nível económico, como também da própria saúde pública. E este modelo, quando visto por terceiros, ou é credível, ou então constitui em si próprio um fator negativo da imagem do país.

A segurança, em especial a sua perceção, é um fator essencial do nosso desenvolvimento. Que não seja um grave incidente, por mais que a todos nos envergonhe, a colocar em causa esse valor coletivo.

*Prof. Catedrático e vice-reitor da UTAD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG