Opinião

Alternativas, opções e consequências

Alternativas, opções e consequências

Percebemos as enormes dificuldades na gestão da pandemia, num tempo em que todos devemos ser solidários a combater as surpresas permanentes deste inimigo invisível e traiçoeiro.

O que não nos deve impedir da nossa própria avaliação das opções tomadas, em função das alternativas existentes, numa fase em que mais do que os números totais de novos infetados, nos preocupa o aumento de internamentos e mais ainda a mortalidade. Por isso é muito importante perceber se estamos a utilizar todo o potencial do sistema de saúde instalado no país, que não apenas o SNS, serviço ao qual estamos gratos pela enorme prova de vitalidade demonstrada. A inevitabilidade de um confinamento mais severo terá algo a ver com a tomada de decisões recentes, nomeadamente o aliviar das regras durante a época natalícia, de que estamos agora a sofrer as consequências. As medidas a tomar terão impacto direto em diversas atividades económicas, que serão fortemente condicionadas, ou mesmo temporariamente suprimidas. Temos por isso o dever de assumir os custos naturais do seu impacto, tentando proteger ao máximo as pessoas através do emprego. Porque somos nós, através do Estado, que estamos a condicionar o seu normal funcionamento, em nome do bem comum.

Iniciado um ciclo semestral de presidência do Conselho Europeu, será prioritária a rápida chegada dos apoios financeiros indexados ao Plano de Recuperação e Resiliência. Por isso é importante que nos expliquem a sua distribuição e aplicação por projetos e pelo território, porque devemos perceber o que pretende o Governo para o país como um todo, que não apenas para um conjunto limitado de iniciativas ligadas a grandes projetos e maiores centros urbanos. E não nos devemos inibir, se for o caso, de criticar e alertar para opções alternativas.

Temos um conjunto bem diverso de candidatos à Presidência da República, pelo que nos cumpre enquanto cidadãos fazer a opção que consideremos mais correta. Tendo a noção das consequências negativas dos radicalismos, espero poder contribuir, através do voto, para um futuro com maior paz social.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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