Opinião

Enfrentar a realidade

O início do ano letivo 2020-2021 vai obrigar-nos a ser capazes de enfrentar uma nova realidade, com o regresso de muitos milhares de alunos dos vários níveis de ensino à rotina habitual da partilha de espaços, mas desta vez com múltiplas condicionantes imanadas da ameaça de um vírus invisível, que se tem mostrado surpreendente na sua capacidade de multiplicação e ressurgimento, desde que no passado início de março alterou de forma significativa o nosso modelo de convívio em sociedade.

No que às universidades diz respeito devo começar por salientar que tenho hoje elementos seguros para afirmar que a maioria dos docentes fez um enorme esforço para garantir que a suspensão do ensino presencial não tenha resultado num impacto ainda mais negativo para os alunos. Não me parece correto nivelar o resultado por um menor denominador comum, em função da existência de alguns focos de comportamento menos profissional. A seriedade, o desdobramento e dedicação da maioria são a imagem mais forte que deve prevalecer. Mas todos percebemos também que nada substitui na totalidade a necessidade do ensino presencial e do seu regresso. No nível mais graduado de ensino as instituições têm de ser capazes de liderar pelo exemplo, garantindo saber lidar com os riscos inevitáveis de um regresso em força de alunos, professores e restantes colaboradores não docentes aos campi universitários. A organização dos espaços de aulas, bares e cantinas, laboratórios e outros de utilização comum terá necessariamente de sofrer adaptações, incluindo tempos diários e semanais de utilização mais alargados, acrescidos de soluções tecnológicas que potenciem a sua ocupação. O desenvolvimento e implementação de novas soluções tecnológicas constitui um desafio perfeitamente ao alcance do conhecimento existente.

Aceitamos, por isso, com os riscos inerentes, o regresso à nova normalidade da vida das universidades. Com a convicção de que saberemos lidar com os problemas que vão surgir, os quais teremos de enfrentar e superar. Porque não adiantará fugir por mais tempo da realidade.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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