Opinião

Futuro da universidade é hoje

Futuro da universidade é hoje

O apoio do sistema científico no combate à pandemia foi a todos os títulos excelente, constituindo uma verdadeira trincheira de resguardo à designada linha da frente.

Se num momento inicial foi a mobilização dos meios existentes nos laboratórios de investigação, com reagentes, luvas e outros consumíveis, passando por câmaras de fluxo laminar, centrífugas refrigeradas, "PCR-real time", ventiladores e torres de apoio a anestesiologia, entre outros, a componente mais marcante revelou-se na aposta subsequente no desenvolvimento de soluções aplicadas, de que sobressaíram as metodologias rápidas de análise de covid-19 e os sistemas de ventilação pulmonar artificial.

A organização do sistema científico em Portugal tem o seu suporte nas 307 unidades de investigação avaliadas e reconhecidas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. A partir do final da década de oitenta, o sistema foi crescendo em torno das universidades e alguns politécnicos, constituindo hoje uma valiosa reserva estratégica do país. Se o nosso sistema empresarial evoluiu muitíssimo na sua modernização e competitividade, muito desse sucesso está indelevelmente ligado à abertura das universidades à interação com a envolvente económica e social, como um novo pilar da atividade destas entidades, durante muitos anos dedicadas à componente formativa.

Se temos hoje excelentes médicos, enfermeiros, engenheiros, etc., com mérito internacional, é porque há melhores universidades. Durante estes tempos difíceis o sistema universitário não procurou a onda fácil do mediatismo comunicacional; reorganizou-se em tempo útil e rápido, trabalhou com a fantástica e irreverente massa humana de alunos, manteve em atividade as componentes críticas de laboratórios e biotérios, articulou-se com o Sistema Nacional de Saúde e autoridades locais e nacionais, constituindo-se como uma discreta, mas sólida, força de apoio à recuperação do país.

É nos momentos difíceis que se fazem escolhas importantes: as universidades e o conhecimento a elas associado têm que constituir uma prioridade, no presente e para o futuro.

* Professor catedrático, vice-reitor da UTAD

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