Opinião

Haverá sempre futuro

Fechadas as eleições para a Assembleia da República, há um tempo de balanço, durante o qual temos análises muito variáveis e dependentes do que pretendemos evidenciar.

A primeira é que, uma vez mais, o ato eleitoral decorreu de forma livre e democrática, o que é sempre de saudar. E não podemos, nunca, deixar de continuar a insistir na importância de uma maior participação da população no exercício do direito de voto. E valerá seguramente a pena tentar encontrar formas que, sem colocar em causa a essência da liberdade de voto, possam funcionar como estímulo a esse exercício essencial numa democracia ativa.

Ponderando se devemos, ou não, continuar a manter a disparidade entre distritos nos votos necessários para eleger um deputado, em que acabam por ser, uma vez mais, os territórios com menos habitantes os mais penalizados. Será que é possível encontrar uma forma de compensação e, ou, correção desta assimetria? É que a perceção do maior interesse dos partidos nos espaços de maior densidade eleitoral não pára de aumentar, parecendo cada vez mais que as promessas de políticas de dinamização do interior não passam de meras promessas do politicamente correto, do Governo à Oposição.

Valeria a pena, por exemplo, ponderar a composição da lista final dos deputados eleitos em função dos votos efetivos por distrito e não dos pré-definidos? É que no limite um grande círculo eleitoral poderá ter o dobro da abstenção, relativamente a outro mais pequeno, sem que nada aconteça no número de mandatos.

Temos sempre que manter a esperança num futuro melhor. Ao partido mais votado compete formar Governo, sendo no caso presente óbvio que o Partido Socialista tem todas as condições para tal, numa situação mais confortável do que aconteceu em 2015. Da oposição espera-se uma ação forte e diligente, que mantenha o Governo sob uma saudável pressão democrática. Creio que serão tempos interessantes, até porque os novos partidos com representação parlamentar vão tentar mostrar serviço. Numa democracia temos a certeza de que haverá sempre futuro.

*Professor catedrático e vice-reitor da UTAD