Opinião

A esperança sempre renovada

A esperança sempre renovada

Entre julho e setembro de cada ano uma parte muito significativa dos nossos jovens e suas famílias vivem uma fase importante das suas vidas, em resultado dos exames nacionais do final do Ensino Secundário e consequente concurso para ingresso no Ensino Superior. É neste grupo da população que o país deposita um grande capital de esperança, porque a lógica simples da lei da vida impõe naturalmente que muito do que acontecerá no futuro dependerá do seu desempenho social e profissional. Por isso percebemos porque é que os países que se querem manter no topo no desenvolvimento económico e social têm na formação superior, associada ao investimento em ciência e inovação, uma das suas maiores preocupações. Não é por acaso que os países que lideram os rankings de competitividade e qualidade de vida têm indicadores elevados nestes domínios.

Este ano tivemos 49 624 estudantes que se candidataram à primeira fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior, para o ano letivo 2018/2019. Mais do que a ligeira quebra de 5,6% no número de candidatos relativamente a 2017, o valor que mais chama à atenção é que apenas 57% dos estudantes inscritos nos exames nacionais do 12.o ano se candidatam ao Ensino Superior, valor relativamente homogéneo nos últimos 4 anos, após os números ligeiramente abaixo dos 50% verificados entre 2011 e 2014, período em que o país esteve sujeito à intervenção da troika. O que deve assim merecer uma forte preocupação será tentarmos perceber as razões pelas quais apenas pouco mais de metade nos jovens que finalizam o Secundário se candidatam ao Ensino Superior. Quando está provado que aqueles que frequentam e concluem esta fase de formação têm, em média, acesso a melhores condições de emprego e salários mais elevados.

A diversidade de formas e ciclos de Ensino Superior, nomeadamente os ciclos de duração mais curta, têm aqui uma oportunidade de crescimento que, devidamente orientada e apoiada, pode beneficiar em muito as competências profissionais destas dezenas de milhares de jovens que terminam precocemente a sua formação. Se soubermos encontrar o modo de os incentivar a continuar a estudar, sempre com seriedade e exigência, termos seguramente retorno desse investimento. E esta terá que ser, necessariamente, matéria de consenso social e político.

*PROF. CATEDRÁTICO, VICE-REITOR DA UTAD

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