Opinião

A esperança sempre renovada

A esperança sempre renovada

A entrada de novos alunos no Ensino Superior é um momento muito importante na vida de dezenas de milhares de jovens e suas famílias, porque há a consciência que esta etapa formativa é na maioria dos casos decisiva para o seu futuro. Não é por acaso que os países mais desenvolvidos têm associados a si as melhores e mais prestigiadas universidades.

Tenho o privilégio de estar ligado à universidade. Tendo em cada ano à minha frente alunos com a mesma média de idades, a que eu lhe acrescento sempre mais um ano de diferença, algo que acontece com orgulho nos últimos 35 anos. É poder assistir e partilhar a mudança geracional em direto, tentando compreender e ajudar a formar os responsáveis do futuro. Com o desafio suplementar numa universidade que o queira ser: conseguir que, a prazo, os atuais alunos sejam melhores que os seus professores. Porque se assim não for dificilmente o conhecimento e a sua transformação em valor avançam a uma velocidade aceitável.

O Ensino Superior é, para além disso, um dos maiores fatores de coesão territorial, enquanto meio de promoção de desenvolvimento económico e social. É por isso um pouco redutor ver os líderes dos dois maiores partidos na disputa pela primazia de um programa Erasmus para o interior, algo que sabe a muito pouco. Se o Governo e Oposição querem mesmo utilizar o Ensino Superior como um meio decisivo para o desenvolvimento do interior do país, então assumam um acordo sobre medidas objetivas e com impacto real. Reforçando, por exemplo, a promoção nas universidades e politécnicos do interior de projetos de investigação em áreas estratégicas à sua escolha; atribuindo uma majoração clara no financiamento dessas instituições; subindo o número de bolsas atribuídas aos seus estudantes; diferenciando positivamente o rácio de alojamento em residências universitárias, ou aumentando o número de bolsas de doutoramento e o financiamento a centros de investigação com nível de muito bom e excelente. Aí sim, teríamos um sinal claro de aposta e de renovação da esperança.

Professor catedrático, vice-reitor da UTAD