Opinião

A floresta e a comunicação

A floresta e a comunicação

No momento em que passam dois anos sobre um trágico dia de 2017, somos inundados com uma profusão noticiosa multifacetada, em que o reavivar da dor das famílias se mistura com limpeza de matas, entrevistas à saída das missas, eventuais irregularidades no processo de reconstrução de casas ou a aquisição da rede "SIRESP" pelo Estado. Numa espécie de miscelânea de temas, que pouco ou nada acrescentam à necessidade de uma floresta mais ordenada e que represente um verdadeiro centro de desenvolvimento económico e social.

Um espaço florestal ordenado e rentável implica um país mobilizado, com uma política multissetorial e objetivos claros a médio e longo prazos, mas não apenas focado no tema do combate aos fogos. A afetação de recursos humanos ao setor é também um dos graves problemas existentes. É por isso preocupante a notícia sobre um hipotético encerramento da formação em Engenharia Florestal na UTAD, pelo facto de este curso estar entre os 19 que não podem abrir vagas no próximo concurso nacional de acesso ao Superior, à luz do despacho de fixação de vagas. A concretizar-se esta ameaça, passaríamos a ter apenas uma licenciatura neste domínio, concretamente no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa. É óbvio que o reitor da UTAD, consciente de que se trata de um curso estratégico para o país, não deixará de usar a prorrogativa da cláusula de exceção prevista para quando estejam em causa "ofertas de reduzida dispersão na rede pública" ou quando "exista procura confirmada de estudantes internacionais". Mas é triste e preocupante que seja necessário utilizar este recurso de emergência, até porque se a situação não se alterar, chegará o momento em que se esgotará a validade desse argumento.

Para além do mediatismo para consumo diário, temos de perceber que há questões bem importantes a resolver. A importância de sensibilizar, formar e mobilizar uma parte dos nossos jovens para o trabalho no domínio da fileira florestal deve também passar a constar das prioridades da ação governativa.

Professor catedrático, vice-reitor da UTAD