Opinião

As presunções, os valores e os princípios

Vivemos tempos de "overload" informativo, em que se torna muito difícil processar a profusão de notícias, destrinçar do seu interesse público, ou privado, bem como perceber a sua importância e enquadramento global na sociedade.

É evidente que vivemos com excessos de presunção, que em muitos tomam como verdade uma suposição, algo que não tendo ainda sido confirmado ou comprovado, é alvo de especulação. Assistimos por isso com preocupação a valorizações excessivas do ego, em que muitos se acham excecionalmente bons e não hesitam na sua exibição pública com fins de benefício político. Escrevi já nestas crónicas que sempre tive, e mantenho, o maior desprezo pelos tiques de um diletantismo militante que uma certa intelectualidade radical nos faz entrar pela porta dentro em cada dia. Nunca apreciei as manifestações de falsa informalidade, muito menos a sua transposição para intervenções públicas, com ar de uma superioridade que sempre me soou a ridícula. Porque tudo isto é falso e, na maioria das vezes, apenas esconde incapacidade e incompetência. Por isso também nunca considerei quem apenas e só dá opinião negativa sobre tudo e mais alguma coisa, com um ar de suposto desprendimento e enfadonho distanciamento, que muitas vezes mais não é do que um álibi para esconder uma boa quantidade de frustrações ou problemas mal resolvidos. Porque ao contrário do que se possa pensar este tipo de pessoas não quer uma solução para nada, antes se alimenta de tudo o que possa ter carga negativa perante a opinião pública. Por isso não alinho na atitude do "casual fashion" de dissertar sobre a filosofia dos radicalismos da atividade económica e social, vazia de conteúdo e cheia de oportunismo.

Uma sociedade valoriza-se sobretudo pela ética que os seus cidadãos colocam na atividade de cada dia, gerando um padrão de costumes e valores que definem o comportamento humano num determinado contexto social. Quando se trata de serviço público, em que a atividade política é uma das suas componentes mais nobres, então os valores são naturalmente balizados de forma mais estreita e publicamente escrutinados. É por aqui que muitas vezes certos mitos caem. Pela razão simples de que o oportunismo e o radicalismo mediático estão longe de representar princípios sólidos da vida em sociedade.

* PROFESSOR CATEDRÁTICO E VICE-REITOR DA UTAD