Opinião

De regresso à inovação

A recente passagem por Portugal da chanceler alemã Angela Merkel teve como ponto de referência a visita ao centro de I&D da Bosch Car Media, situado em Braga e resultado de uma parceria estabelecida por esta multinacional com a Universidade do Minho. Este caso mostra de forma evidente que a base de conhecimento científico de que já dispomos em Portugal, nas unidades de I&D e nas instituições de Ensino Superior, tem um potencial de valor económico muito elevado, mas ainda explorado de forma insuficiente. O financiamento da I&D está ainda muito focalizado na oferta, com reduzida orientação para o desenvolvimento da inovação das empresas portuguesas. Existe ainda uma clara falha no que respeita a investimento adequado nas fases de validação da inovação, bem como de competências de gestão e capacidade de interpretar as necessidades do mercado. As estruturas de licenciamento de resultados de investigação existentes são, na sua maioria, pouco eficazes no aproveitamento do stock de conhecimentos. A capacidade de apoiar estas estruturas através de parcerias com as empresas, nomeadamente em projetos internos e, ou, externos de maior dimensão, é também ela própria uma questão estratégica de sustentabilidade. Os estímulos para que durante o percurso universitário, professores e, ou, investigadores dediquem parte do seu percurso em trabalho em ambiente empresarial não existem, ou são negativos. É importante valorizar disposições legislativas que facilitem a incorporação de investigadores públicos no setor privado e dar uma maior importância curricular às atividades de transferência de tecnologia.

O investimento em formação avançada de recursos humanos aparece, em termos absolutos, como um dos indicadores com maior sucesso em Portugal, resultado do enorme investimento realizado neste domínio durante os últimos 25 anos. Face a todo o esforço até agora efetuado, não é aceitável a falta de recursos humanos disponíveis para ser subcontratados para desenvolver atividades de I&D em parceria, funcionando como catalisadores de emprego qualificado. É por isso fundamental incorporar rapidamente um número muito mais elevado de doutorados nas empresas, melhorando drasticamente a nossa incrível percentagem, ainda próxima dos 15% da média da União Europeia!

* PROFESSOR CATEDRÁTICO, VICE-REITOR DA UTAD