Opinião

Mais que um clube

Num contexto diferente do habitual assistimos no início deste mês à celebração da final da Taça de Portugal, uma semana depois do campeonato nacional, em ambos os casos com vitórias merecidas do Futebol Clube do Porto.

Após uma época muito longa, com uma interrupção de mais de dois meses durante o pico da pandemia, antes da qual, durante e depois do recomeço fomos sendo massacrados pelos que tudo tentam para desgastar e, se possível, eliminar um dos últimos focos de resistência à evolução da neoplasia centralista de metástases cada vez mais difusas e sofisticadas. No respeito pelo valor da liberdade individual da paixão clubística, a instituição mais prestigiada da região do Norte de Portugal continua a ser um caso muito sério de importância e impacto global muito positivos na afirmação e reconhecimento global.

O clube tem hoje uma dimensão e implantação nacional e internacional que orgulha todos os que dele gostam, mas que também deve merecer o respeito e admiração por todos aqueles que não sendo seus adeptos não deixaram de poder assistir ao longo das últimas décadas ao impacto positivo das suas múltiplas interações, que vão muito para além da componente mais mediatizada do futebol. As atividades ligadas à prática de desporto adaptado, por exemplo, são do melhor e socialmente mais inclusivo que se conhece na atualidade. E se o desconforto de alguns comentadores televisivos, ou a alergia de outros já entrou no rosário das banalidades, a postura da suposta entidade de serviço público continua a não deixar de surpreender. A partir do Porto continuaremos a trabalhar para a alegria e orgulho de todos os nossos adeptos, mas também pela afirmação de uma região e de um país, superando as dificuldades de cada dia e tentando ser um fator de inclusão de territórios através da rede de delegações. Não renegamos o nosso passado e a nossa história; saberemos sempre acolher um filho pródigo mas sem necessidade de o transformar em messias anunciado.

Assentes nos valores da união e do acreditar no trabalho de cada dia, a partir do local onde nascemos, seremos sempre muito mais que um clube.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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