Opinião

Não deixar ninguém para trás

Não deixar ninguém para trás

Da leitura do Plano de Recuperação e Resiliência, que se encontra em discussão pública, sobressai a vontade do Governo em conciliar, simultaneamente, as necessidades de investimento com as obrigações de apoio e equilíbrio social.

De acordo com o documento, do total das subvenções, 61% estão alocados à dimensão da resiliência, de onde sobressaem os investimentos no Serviço Nacional de Saúde, na Habitação, Respostas Sociais e Infraestruturas.

E a dúvida que resulta é se os investimentos fundamentais para suprir carências básicas no interior do país estão acautelados? Porque não se recupera a lista de pequenas ligações rodoviárias em falta, que significam em muitos casos o desatar de problemas crónicos sem solução? Será que reduzir o investimento a algumas ligações transfronteiriças é satisfatório?

Temos ainda a acrescentar a presença efetiva de centros de saúde devidamente equipados e com horários de funcionamento adequados em concelhos mais pequenos, cada vez mais fundamentais face ao envelhecimento progressivo da população. Da mesma forma que a componente da Escola Digital, prevista no eixo da Transição Climática, é decisiva na promoção de mecanismos de igualdade.

Não é possível mantermos alunos em casa em espaços territoriais sem Internet, algumas vezes sem estar sequer garantido o acesso a televisão por TDT. Como é intolerável que existam ainda concelhos do interior que não têm, nem nunca tiverem, Ensino Secundário, obrigando a que os jovens se desloquem da sua residência para estudar, logo a partir do 9.º ano de escolaridade. Num país que tem o 12.º ano como nível de escolaridade obrigatório, parece-nos óbvio que a correção deste desequilíbrio deveria constituir uma prioridade. É que o plano estabelece como duas das suas prioridades fundamentais a redução das vulnerabilidades sociais e a ambição de assegurar um território simultaneamente competitivo e coeso.

Como tenho repetidas vezes afirmado, um país que não tem uma política de desenvolvimento efetiva para o seu território como um todo só agravará desigualdades e terá a competitividade ameaçada.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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