Opinião

Nos momentos difíceis saber olhar em frente

Nos momentos difíceis saber olhar em frente

O ressurgimento em força da disseminação da covid-19, com evidência para a Região do Norte, mas de forma global em todo o território nacional, mostra que o vírus continua a não dar descanso, sendo que se parece querer diminuir o nível de virulência, face aos indicadores de mortalidade e internados em cuidados intensivos, a tendência da natureza para ser compensadora mostra uma maior capacidade e facilidade de propagação e contaminação cruzada. Após o enorme esforço realizado durante o período de confinamento derivado do estado de emergência, seguido de uma acalmia até ao período de férias de verão, há naturalmente um sentimento generalizado de frustração com a intensidade desta segunda vaga.

Nas escolas, universidades, empresas, supermercados, restaurantes, transportes públicos e privados, escritórios, etc., temos todos a consciência do momento que vivemos e que temos de enfrentar com coragem e prudência, sabendo que muito dificilmente poderemos recorrer a medidas tão drásticas como as da passada primavera, face aos efeitos diretos e danos colaterais da vida em sociedade. Mas temos que ser capazes de um esforço coletivo que minimize os impactos do momento e permita suavizar o aumento inevitável das restrições que nos esperam. Em especial aos grupos socialmente mais ativos é pedido um comportamento responsável e cauteloso, porque observamos e percebemos porque muitas vezes também estamos a facilitar a vida ao vírus. Não chega ter muitas pessoas a trabalhar no desenvolvimento científico que nos trará dias mais tranquilos se até lá deixarmos um rasto de tragédia inaceitável para os mais frágeis e vítimas dessa proximidade.

É quando tudo nos parece errado e temos que suspirar em vez de sorrir, quando tudo nos parece estar a pressionar, que podemos descansar se for preciso, mas nunca desistir. Temos que ter noção de que o sucesso é muitas vezes o fracasso virado do avesso. Por isso, é em momentos mais difíceis que temos de perceber onde estamos e, sobretudo, não desistir e saber olhar em frente.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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