Opinião

O desafio da normalidade

O desafio da normalidade

As últimas semanas foram vividas numa espécie de tranquilidade confusa, com mistura de sensações e sobressalto permanente, fé e confiança, saídas pontuais e a medo de casa, olhando para os limites concelhios como as novas fronteiras.

Assistimos ao fecho das escolas e à suspensão das atividades letivas nas universidades, prescindimos da forma habitual de celebrar a Páscoa, vimos viagens canceladas ou adiadas sine die. Temos dúvidas sobre a forma como se vai concluir o ano escolar dos nossos filhos, temendo as consequências futuras deste estranho vazio educativo. Não é assim tão simples substituir o conjunto de atividades letivas, incluindo aulas e acompanhamento presencial, por tecnologias de ensino à distância. Passamos a esperar os resultados diários da evolução da pandemia com uma espécie de diário de guerra, com os números divulgados depois alvo de múltiplas análises estatísticas e previsionais, alimentadas à exaustão no "parlamento" das redes sociais.

Vivemos bem com a suspensão do ruído dos debates televisivos futeboleiros, mas sentimos a falta da adrenalina de assistir a um espetáculo de futebol ou outro desporto coletivo.

Estes têm sido os dias da nova normalidade, que desejamos alterar no sentido de retomar hábitos e rotinas essenciais, com a consciência de que há atividades que poderão demorar a regressar a padrões anteriores, ou mesmo não voltar a acontecer.

Quero ter uma universidade vibrante, porque um campus sem alunos tem a tristeza de um jardim a secar por falta de água; desejo que os exames decorram com a normalidade e dignidade que se impõe, com a consciência da enorme discrepância ocorrida entre alunos, professores, escolas, universidades e faculdades; quero voltar a ver um bom jogo de futebol, com choque, ressaltos e disputa de bola; desejo poder passear tranquilamente, almoçar num restaurante ou esplanada e tomar o vinho que me apetece, não me resignando à normalidade do takeway. Tudo isto com o foco na recuperação social e económica, que permita olhar cada pessoa como um valor supremo e intocável.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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