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Opinião

O desafio do futuro imediato

O desafio do futuro imediato

A realidade é sempre um momento de confronto com a verdade, com o mês de setembro cada vez mais perto e desta vez com a dose da anestesia das férias de verão bastante abaixo dos fluxos habituais da silly season. Teremos por isso de ser capazes de encarar os desafios imediatos como os mais importantes das nossas vidas, porque são aqueles que vamos ter que superar no presente.

Ao país impõe-se um sentido de dever coletivo na recuperação da atividade económica, como base essencial do bem-estar e da paz social. Com um auxiliar precioso constituído por um fundo de recuperação europeu, que virá reforçar de forma significativa o já habitual envelope de fundos estruturais. O equilíbrio entre projetos com impacto elevado e forte poder de aceleração da economia e outros que promovam uma coesão territorial, absolutamente decisiva conforme nos tem provado o lastro dos impactos da pandemia, terá que estar presente nas decisões do Governo e nas suas interações com o Parlamento. Entre o lítio, o hidrogénio e o mar profundo, temos obrigatoriamente que ter espaço para o território e para as pessoas, valores sagrados enquanto tal.

Mesmo com a consciência de que o vírus irá continuar a circular, muitas vezes de forma surpreendente, enquanto não se consolidar uma vacina ou tratamento eficaz ao seu combate, impõe-se às instituições um rápido regresso a padrões de normalidade, nomeadamente em áreas-chave do Estado como a educação e a justiça, dado que outras como a proteção civil e a saúde foram obrigadas a manter níveis de atividade incompatíveis com o confinamento geral decretado. As escolas e universidades terão que encarar e enfrentar a realidade, que demonstrou que as fabulosas ferramentas digitais ajudaram mas não substituem, de todo, a presença e proximidade física de professores, alunos e restantes colaboradores nos locais de trabalho. Às universidades, enquanto pilar fundamental de valores, impõe-se, necessariamente, estar na liderança das melhores práticas e formas de superação dos desafios que nos esperam.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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