Opinião

O difícil equilíbrio

O difícil equilíbrio

As medidas decididas pelo Governo para o combate ao crescimento de casos de covid-19, que decorrem da necessidade imperiosa de evitar roturas no funcionamento do sistema nacional de saúde, acabam naturalmente por criar dificuldades graves a um conjunto alargado de atividades económicas, o que constitui um dano colateral com consequências muito negativas no domínio económico e social.

Quando ouvimos o responsável pelo colégio da especialidade em medicina intensiva, pessoa de idoneidade e ética profissional reconhecidas, alertar para a possível rotura do sistema de saúde caso não sejam tomadas medidas imediatas, temos de entender a urgência na tomada de decisões. O que todos esperamos é que as mesmas, em conjunto com a consciência coletiva do momento e da importância de cada contributo individual, sejam eficazes no decréscimo do número de casos de infeção e internamento, bem como na redução do drama que sempre será a perda de uma vida.

Mas também temos de perceber a angústia dos que são mais atingidos nas suas atividades. Entendemos por isso o desespero dos feirantes, porque uma nova proibição de feiras e eventos similares significará o fim de linha para alguns milhares de famílias que têm nesta atividade o seu sustento, feito ao longo de muitos anos de uma vida duríssima e incerteza permanentes. Como também é natural a apreensão dos donos e responsáveis de milhares de restaurantes, em que muitos podem não resistir a uma nova quebra da procura.

E podemos questionar se sim, ou não, deve o Governo, em nome do Estado de direito, vir a socorrer e apoiar de forma inequívoca muitas das atividades de natureza concorrencial privada que podem ver o seu futuro em causa? A resposta só pode ser sim, porque sendo eu alguém que acredita na atividade económica como a fonte natural de geração de riqueza numa sociedade, tenho consciência plena de que quando é o estado que por decreto passa a impedir o seu normal funcionamento, então temos de ter a honradez de saber equilibrar os efeitos negativos dessa intervenção.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG