Opinião

Por um plano de desenvolvimento

Por um plano de desenvolvimento

Em paralelo com o novo ciclo de programação de fundos estruturais, Portugal irá ainda dispor, no âmbito do plano de recuperação e resiliência, de um envelope financeiro adicional para estimular uma recuperação mais rápida dos efeitos negativos da pandemia covid-19.

Estamos perante uma oportunidade concreta de os decisores políticos olharem para o território de uma forma global e integrada. Como podemos ler na recente diretiva governamental "para além dos desafios estruturais do país, a Estratégia Portugal 2030 não poderia deixar de considerar os problemas que a recente pandemia revelou e acentuou, desde a necessidade de aumentar a resiliência da economia, da sociedade e dos territórios...".

Pese as referências à importância das zonas de baixa densidade, raramente vemos medidas consistentes de suporte a este objetivo. A drenagem da esmagadora maioria do investimento para as áreas de maior concentração populacional evidencia a forma mais fácil de fazer política, centrada no imediato de cada ciclo, deixando na "Cloud" a promessa sempre renovada dos apoios para o interior. No início dos anos oitenta, Valente de Oliveira, então à frente da CCR-Norte e numa parceria com o Banco Mundial, terá feito uma das últimas e raras tentativas estruturadas de mudança do paradigma.

Só um "país rico" se permite ao desperdício do potencial de uma parte substancial do seu território. Se queremos um país mais desenvolvido, então temos de olhar para o todo nacional, desenhando e aplicando políticas consistentes e duradouras. Se houver vontade política, um plano de desenvolvimento a aplicar nos próximos dez anos e com diferenciais de investimento significativos, poderá mudar a face atual do interior da Região do Norte de Portugal. Haja a coragem de destinar um envelope da ordem dos 2000 milhões de euros (cerca de 5% das subvenções previstas), para uma alteração estrutural, económica e social dos concelhos que integram as CIM do Douro, Trás-os-Montes e Alto Tâmega. Poderemos então ter esperança numa mudança efetiva na criação de riqueza e a sua redistribuição de forma socialmente mais justa.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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