Opinião

Tributo a um homem do ferro!

Tributo a um homem do ferro!

A última semana trouxe-me a notícia triste da morte de um grande amigo, o engenheiro Jorge Ferreirinha, industrial e antigo presidente da Associação Empresarial de Portugal. Intitulando-se a si próprio de industrial fundidor, porque não apreciava o termo empresário, dedicou mais de 50 anos da sua vida à atividade da fundição, o que me explicou ser mais do que indústria, mas também arte, criatividade, ciência e inovação.

Como escreveu Almeida e Sousa, um dos seus melhores amigos, a par dos irmãos Mário e Rui Moreira, Jorge Ferreirinha ensinou-nos que é possível fugir da vulgaridade, que é possível ser-se diferente e ser-se melhor. Trabalhador, determinado, audaz, teimoso até onde se pode ser, decidido, sempre disposto a fazer-se ouvir quando pensava que tinha razão. Ousou e nunca teve medo das consequências de ser ousado. A sua matriz estava expressa no poema da sua vida "don´t quit". Nunca abdicou dos seus princípios e dos seus valores. Rejeitou uma interessante parceria internacional porque os seus sócios impunham que a sede da empresa se situasse nas Bahamas. A sua visão da responsabilidade social das empresas levaram-no a defender e lutar por algo de impensável para a ortodoxia capitalista: que a repartição dos lucros industriais deveria ser efetuada numa base de 50% para o capital, 50% para o trabalho. Filho e neto de industriais do ferro, tem a história da sua família ligada a factos únicos, de que sobressai a construção do EDFOR em 1937, automóvel de competição construído com base em chassis e mecânica Ford.

Viveu crises sucessivas na sua vida de industrial, da crise energética, à revolução de 25 de Abril de 1974. Quando esgotou a sua capacidade de investimento, a par da sua posição acionista, não se queixou, antes expressou a satisfação e o orgulho do dever cumprido, de ter colaborado num dos melhores projetos de alta tecnologia do setor metalúrgico em Portugal, de ter contribuído para muitas centenas de postos de trabalho qualificados e para um país mais rico, moderno e socialmente mais justo. Foi um grande senhor.

*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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