Opinião

Uma questão de confiança

Uma questão de confiança

As polémicas recentes interferem com valores sensíveis como o da confiabilidade.

Se todos aguardam com ansiedade a chegada das vacinas de combate à covid-19, então é natural que toda a organização e procedimentos relativos à sua distribuição e aplicação aos diversos grupos da população deva obedecer a critérios de rigor e transparência. A vida é um valor inalienável, sendo sagrado em si mesmo. Por isso, a saída de notícias soltas relativas ao maior, ou menor, grau de eficácia em alguns grupos etários, sobretudo idosos saudáveis, origina óbvias reações de perplexidade.

A novela das injeções de capital no Novo Banco, através de empréstimos por parte do fundo de resolução, não é positiva para ninguém, do Estado ao mais pequeno dos depositantes. Fui durante muitos anos cliente do BES, continuo a sê-lo do seu sucessor. Sempre fui tratado com correção por parte de todos os colaboradores com quem interagi, a muitos dos quais estou grato pela ajuda prestada.

O folhetim que dura desde o verão de 2014 deve ser esclarecido de forma a que a confiança na instituição volte a ser recuperada. Se na negociação com o comprador foram estabelecidos princípios que lhe permitem recorrer de forma sistemática a verbas do fundo de resolução, então a sua supervisão e controlo devem ser públicos e exaustivos.

Caso contrário será inevitável uma degradação ainda mais acentuada do banco. Também será importante explicar com serenidade se as verbas transferidas pelo OE para o fundo de resolução representam uma subvenção a fundo perdido, ou se pelo contrário se trata de um empréstimo a longo prazo com reembolso obrigatório.

A explicação deste detalhe é muito importante, uma vez que um empréstimo é radicalmente diferente de uma perda assumida. Caso contrário, também se poderia questionar porque é que o Banco Central Europeu continua a apoiar a dívida pública portuguesa a longo prazo, pese o seu valor astronómico.

Em especial quando temos decisões de caráter público que afetam a vida e o bem-estar comum, convém não esquecer que estamos sobretudo perante questões de confiança!

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*Prof. catedrático, vice-reitor da UTAD

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